EUA propõem outra resolução da ONU para trégua em Ghouta Oriental

A própria ONU confirmou hoje que essa resolução que determina a trégua não foi cumprida, pois a violência continuou em várias regiões da Síria

Nações Unidas – Os Estados Unidos propuseram nesta segunda-feira ao Conselho de Segurança da ONU um novo projeto de resolução para estabelecer uma trégua imediatamente na capital da Síria, Damasco, e no reduto opositor de Ghouta Oriental, situado nos arredores da cidade.

A iniciativa, anunciada pela embaixadora americana nas Nações Unidas, Nikki Haley, acontece diante do “fracasso” do cessar-fogo exigido pelo Conselho de Segurança na resolução que foi aprovada por unanimidade há duas semanas.

A própria ONU confirmou hoje que essa resolução não foi cumprida, pois a violência continuou em várias regiões da Síria e inclusive aumentou em outras, como Ghouta Oriental.

Nikki, em discurso no Conselho de Segurança, lembrou que seu país tinha advertido durante a negociação desse texto que, caso não fosse respeitado, seria necessário “atuar”.

“Esse dia chegou. O cessar-fogo fracassou”, disse a embaixadora americana, que explicou que a nova resolução proposta pelos EUA cobre Damasco e Ghouta Oriental e não oferece nenhum espaço para a “evasão”.

Washington acusa o regime sírio e sua aliada Rússia e o Irã de utilizarem como desculpa para “continuar sua guerra” uma disposição da resolução aprovada em fevereiro que autorizava as operações contra grupos terroristas, apesar da cessação das hostilidades.

Nikki afirmou que o governo de Bashar al Assad, Teerã e Moscou “exploraram premeditadamente essa brecha” para rotular de “terroristas” todos os grupos opositores de Ghouta Oriental e continuar combatendo seus “rivais políticos” e bombardeando civis.

“Zombaram deste processo e desta instituição”, insistiu a embaixadora.

A diplomata americana ressaltou que se Rússia, Assad e Irã não podem se comprometer a parar os bombardeios na área limitada incluída no novo projeto de resolução, ficará claro que não vão aceitar nada que valha a pena.

Nikki também advertiu que, se o Conselho de Segurança não atuar, os EUA estão dispostos a agir por conta própria.

“Não é a via que preferimos, mas é um caminho que demonstramos que podemos seguir e estamos prontos para segui-lo outra vez”, afirmou.