EUA pedem que países da OMC deixem de ser “reféns” de Doha

Froman pediu a superaração do processo de liberalização comercial iniciado em 2001 na capital do Catar

Nairóbi – O representante de Comércio Exterior dos EUA, Michael Froman, pediu nesta quinta-feira aos países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) que deixem de ser “reféns” da Rodada de Doha para responder de forma efetiva aos problemas econômicos atuais, especialmente em matéria de desenvolvimento.

Em seu discurso perante o plenário da OMC em Nairóbi, Froman pediu a superaração do processo de liberalização comercial iniciado em 2001 na capital do Catar e que mantém estagnado o sistema multilateral da instituição, que poderia enfrentar uma profunda transformação nesta cúpula.

O titular de Comércio americano pediu “uma nova forma de multilateralismo pragmático”.

“O desenvolvimento é muito importante. Todos nós, e especialmente os países em desenvolvimento, consideramos inaceitável que os assuntos críticos de Doha tenham sido feitos de reféns por uma arquitetura que demonstra incapacidade para produzir resultados adequados”, enfatizou.

Para Froman, “deixar Doha para trás não significa deixar inacabado este negócio, mas pôr sobre a mesa novas formas de responder”.

“Precisamos nos livrar das estruturas do marco de Doha para permitir dar novos enfoques e mais criativos a estes problemas” para “revitalizar a OMC e o sistema multilateral de comércio”.

O americano encorajou os 163 países-membros da instituição – que durante a jornada de hoje aumentará para 164 com a entrada do Afeganistão – que “comecem a trabalhar juntos em Nairóbi”.

“Sabemos que o comércio pode ser uma resposta ao desenvolvimento, que pode substituir o círculo vicioso da estagnação econômica, pobreza e a falta de saúde com crescimento, aumento de salários e sociedades mais sãs”, disse.

Para ajudar as economias pobres e desbloquear o marco de Doha, que permanece estagnado em grande medida pelas posturas enfrentadas de países desenvolvidos e subdesenvolvidos pela manutenção de medidas protecionistas, será necessário um debate “honesto”, advertiu.

“Que lembremos de Nairóbi como o lugar onde começamos um novo capítulo da OMC que reflita as realidades econômicas do mundo atual”, disse.

Só assim, o comércio global poderá impulsionar o desenvolvimento e a prosperidade “neste século”, concluiu.