EUA mobilizam recursos na busca dos autores de atentados

Pelo menos três pessoas morreram, entre elas uma criança de 8 anos, e mais de 140 ficaram feridas, sendo 17 em estado crítico, como resultado da explosão de duas bombas em Boston

Washington – As autoridades dos Estados Unidos estão mobilizando imponentes recursos para esclarecer os atentados ocorridos nesta segunda-feira em Boston, os primeiros em solo americano desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Pelo menos três pessoas morreram, entre elas uma criança de 8 anos, e mais de 140 ficaram feridas, sendo 17 em estado crítico, como resultado de duas bombas que explodiram em um breve intervalo quando a célebre maratona de Boston se encaminhava para seu final.

Até o momento, não há detidos nem suspeitos, e as autoridades não se atreveram, pelo menos oficialmente, a qualificar o fato de “ataque terrorista”, embora tudo indique isso.

Em mensagem à nação, o presidente americano, Barack Obama, se limitou a prometer que “todo o peso da justiça” cairá sobre os responsáveis, mas admitiu que o Governo não sabe quem foi o autor do ataque nem por que ele ocorreu.

“Ainda não sabemos quem fez isso nem por que fez. E as pessoas não devem extrair conclusões até que não tenhamos todos os fatos. Mas que ninguém se equivoque, iremos até o fim. Averiguaremos quem fez isso e por que fez isso. Todo o peso da lei cairá sobre qualquer indivíduo ou grupo responsável por isso”, assegurou.

O FBI assumiu a direção das investigações, das quais também participam outras agências federais, como o Escritório para Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF, em inglês) e o Departamento de Segurança Nacional, assim como a Guarda Nacional e as Polícias estadual e municipal.

O papel de protagonismo do FBI confirmaria, segundo os observadores, que as autoridades seguem a pista de um ato criminoso de natureza terrorista, mas ele pode ser de origem interior ou exterior.

Segundo as primeiras investigações, as bombas utilizadas foram pequenos artefatos, mas enquanto não for determinado o tipo de explosivo não será possível saber se o ataque foi obra de algum indivíduo ou grupo americano ou de uma organização estrangeira.


Em suas primeiras declarações à imprensa, a Polícia de Boston indicou não ter recebido ameaças nem advertências prévias às explosões.

Os atentados acontecem em um momento no qual os americanos estão imersos em um apaixonado debate sobre o controle das armas de fogo, após o massacre ocorrido em meados de dezembro em uma escola em Newtown (Connecticut), no qual morreram 26 pessoas alvejadas por um jovem desequilibrado.

No passado, as tentativas do Governo de pôr limites à circulação das armas de fogo entre a população, sobretudo das mais mortíferas, contrariou os grupos nacionalistas mais extremistas que defendem, inclusive violentamente, o direito de ter armas nos EUA.

Segundo lembrou nesta segunda-feira o jornal “The Washington Post”, a perspectiva de uma legislação federal sobre as armas de fogo exacerbou a atividade dos grupos “patrióticos” mais violentos, de acordo com um recente relatório do Southern Poverty Law Center, especializado no acompanhamento desses grupos.

De acordo com essa organização, os grupos patrióticos alcançaram níveis recorde em 2012 e experimentaram um crescimento de 813% nos últimos quatro anos.

Os EUA não assistiam a cenas como as de Boston, com corpos ensanguentados, membros soltos e expressões de atordoamento e dor, desde os atentados perpetrados pela Al Qaeda em 11 de setembro de 2001.

No entanto, a origem das bombas de Boston pode estar muito mais perto. Em carta dirigida ao secretário de Justiça, Eric Holder, no mês passado, o Southern Poverty Law Center alertava que, como no período anterior ao atentado de Oklahoma, se assiste a uma multiplicação das ameaças por parte desses grupos que temem que o Governo acabe tirando suas armas.

Em 19 de abril de 1995, o terrorista americano Timothy Mcveigh explodia um caminhão-bomba perante um edifício federal na cidade de Oklahoma e matava 168 pessoas.