EUA e Cuba tem desafios após um ano da reaproximação

Separados por apenas 150 quilômetros pelo Estreito da Flórida, os países não tinham relações diplomáticas desde 1961

Após mais de 50 anos de rompimento de relações diplomáticas, os Estados Unidos e Cuba anunciaram há um ano que iriam começar uma reaproximação.

O anúncio histórico foi feito pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro.

Separados por apenas 150 quilômetros pelo Estreito da Flórida, os países não tinham relações diplomáticas desde 1961.

O embargo econômico, comercial e financeiro contra Cuba foi imposto pelos Estados Unidos em 1962.

No dia 20 de julho, os Estados Unidos e Cuba reabriram suas embaixadas em Havana e Washington, reatando oficialmente as relações diplomáticas.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, foi a Cuba no dia 14 de agosto, tornando-se o primeiro chefe da diplomacia norte-americana a visitar a ilha caribenha em 70 anos, desde 1945.

Em Havana, Kerry presidiu a cerimônia de hasteamento da bandeira americana na Embaixada dos Estados Unidos após 54 anos.

Em comunicado do Departamento de Estado, o encarregado de negócios da embaixada norte-americana em Havana, embaixador Jeffrey DeLaurentis, disse que, ao longo deste ano, os países fizeram progressos e se engajaram em um diálogo histórico, em ampla gama de assuntos, entre eles aviação civil, serviço de correio direto e meio ambiente.

Segundo ele, um dos objetivos de Washington com a reaproximação foi aumentar o número de viagens autorizadas, o comércio e o fluxo de informação para o povo cubano.

O embaixador ressaltou, entretanto, que ainda há áreas de desacordo entre as nações, como direitos humanos.

“Vale a pena lembrar que o secretário Kerry disse, durante a cerimônia de hasteamento da bandeira, que a normalização [das relações] não vai acontecer de um dia para outro”, afirmou, em nota divulgada terça-feira (15).

Avanços diplomáticos

O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Alcides Costa Vaz avalia que os maiores avanços ocorreram nos campos diplomático e político e destaca a retirada de Cuba, pelos Estados Unidos, da lista dos países que contribuem com o terrorismo.

“O grande benefício desse primeiro ano foi ter revertido o clima geral, de dois países que se viam como inimigos, um resquício da Guerra Fria”.

“Do ponto de vista dos negócios, o passo mais importante dado nesse período pelos EUA foi o de colocar em campo uma série de regulações e dispositivos legais que estão flexibilizando as restrições para a realização de negócios entre os dois países”, disse Vaz.

A principal demanda cubana – a suspensão do embargo – é uma questão pendente e deve demorar a ser resolvida.

“A perspectiva é de que o embargo seja suspenso, mas a dificuldade é o Congresso [americano]. Por ser um ano eleitoral e um Congresso com maioria republicana, o atual governo resolveu não pisar fundo nessa questão. O governo [de Obama] foi flexibilizando o que estava na sua alçada. Os republicanos não vão querer dar esse trunfo eleitoral aos democratas, com a corrida eleitoral nos seus primeiros momentos”, afirmou Vaz.