EUA: Câmara rejeita veto de Trump a transgêneros nas Forças Armadas

Para parlamentares, a medida da Casa Branca é discriminatória e denigre trabalho de americanos

Washington – A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira uma resolução de rejeição ao veto decretado pelo governo do presidente Donald Trump, com o qual a Casa Branca pretende impedir que transexuais prestem serviço nas Forças Armadas.

A resolução foi aprovada no plenário da Câmara por 238 votos a favor, entre eles o de cinco congressistas republicanos, e 185 contra.

“O veto do governo Trump ao serviço de pessoas transgênero nas Forças Armadas é discriminatório e denigre o trabalho de patriotas americanos”, disse o líder da maioria democrata na Câmara, Steny Hoyer.

De acordo com o congressista, a medida “prejudica a segurança nacional em um momento de ameaças globais sérias”, e por isso ele defende o texto da resolução que pede ao Departamento de Defesa que não instaure o veto em 12 de abril, como previsto.

Trump anunciou em julho de 2017 que tinha a intenção de proibir todas as pessoas transgênero de servir nas Forças Armadas, embora posteriormente a Casa Branca tenha se limitado a tentar impedir o recrutamento de pessoas que pudessem, no futuro, querer se submeter a uma operação de mudança de sexo.

Por fim, o Pentágono apresentou em março do ano passado uma legislação que estabelecia que as pessoas com “um histórico de disforia de gênero (…) ficam desqualificadas do serviço militar, exceto sob circunstâncias limitadas”.

A disforia de gênero, de acordo com a Casa Branca, define “pessoas que possam requerer um tratamento médico substancial, incluindo remédios e cirurgia”.

O Pentágono alega esse tipo de cirurgia custa caro, que esses recursos econômicos poderiam ser melhor utilizados e, além disso, as pessoas que se submetem a ela precisam de um período de repouso que as impede de possível desdobramento.

A legislação da Casa Branca foi bloqueada sucessivamente por diferentes cortes estatais, mas o Supremo Tribunal opinou em 22 de janeiro que, enquanto não há uma sentença firme a respeito, o Departamento de Defesa pode continuar implementando a nova política.