Estados Unidos perdem influência na América Latina

Apesar da aprovação da área de livre comércio com a América Central, governos de esquerda barram avanço dos interesses americanos na região

As dificuldades dos Estados Unidos para aprovarem o Tratado de Livre Comércio da América Central (Cafta, na sigla em inglês) mostram que a influência americana sobre a América Latina está mais fraca. Assinado com Nicarágua, Guatemala, Honduras, Costa Rica e a República Dominicana, o acordo contém termos bastante favoráveis aos Estados Unidos, segundo o americano The Wall Street Journal, como restrições à importação de produtos como o açúcar, mais competitivo que o fabricado pelos americanos.

Segundo The Wall Street Journal, Washington busca a cooperação dos latino-americanos em temas de seu interesse, como o combate ao terrorismo e a assinatura de tratados comerciais. As tentativas americanas de estender sua influência para a América do Sul vêm despertando a oposição local, como a do presidente venezuelano Hugo Chávez. Além disso, nos últimos anos, a maior parte dos países da região elegeu governos de esquerda e cresceram os movimentos populares que se opõem à liberalização do comércio regional, como deseja Washington.

Parte da perda de prestígio dos americanos na região deve-se ao seu próprio comportamento. Quando passaram a se concentrar na luta contra o terrorismo, os Estados Unidos deixaram de lado antigos aliados latinos. Há três anos, por exemplo, o então presidente da Bolívia, Gonzalo Sánchez de Lozada, claramente pró-americano, pediu ao governo Bush um empréstimo de 150 milhões de dólares para cobrir déficits orçamentários e conter o avanço da oposição. O pedido foi negado e, menos de um ano depois, Lozada caiu. Agora, a Bolívia está virtualmente paralisada por uma grave crise política.

Em contraste, a influência da Venezuela na região está crescendo no vácuo deixado pelos Estados Unidos. “Os americanos não estão pondo dinheiro em nenhum lugar da América Latina, e Chávez est”, afirma Eduardo Gamarra, diretor do centro de estudos latino-americanos da Universidade Internacional da Flórida.

Favorecido pelas receitas da exportação de petróleo, em um momento de alta dos preços internacionais, o presidente venezuelano dispõe de recursos para socorrer seus vizinhos endividados neutralizando a influência de instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, que impõem condições para os empréstimos. No início do ano, a Venezuela comprou 500 milhões de dólares em títulos públicos da Argentina. Na última semana, o Equador negociou a venda de 200 milhões de dólares em títulos para o país. Os representantes equatorianos têm esperança de que o valor possa subir para 500 milhões.