Espanha: a capitulação dos socialistas

Será, enfim, o fim de um impasse monumental? O Rei Felipe VI recebe nesta terça-feira o primeiro-ministro Mariano Rajoy, num encontro que deve marcar o fim de mais de dez meses de impasse na Espanha. O conservador PP, o partido de Rajoy, foi o vencedor matemático das eleições legislativas de dezembro e de junho, mas não obteve maioria suficiente para formar um governo.

A situação mudou no domingo 23, quando líderes do segundo colocado – o socialista PSOE – decidiram por não impedir um novo mandato de Rajoy. A mudança vem após a saída do ex-presidente do partido, Pedro Sanchez, ferrenho opositor de um acordo com o PP. Javier Fernandez é o novo líder. 

Após sua rendição, O PSOE pode ser visto como o grande derrotado destas eleições. Desde a redemocratização espanhola na década de 1980, os socialistas se revezam com o PP num sistema bipartidarista. O último premiê do PSOE foi José Luis Rodríguez Zapatero, que governou de 2004 a 2011.

Mas a legenda não conseguiu se conectar às necessidades de um país em crise profunda. A dívida pública ultrapassa os 100% do PIB, e a taxa de desemprego não fica abaixo dos 20% desde 2011 – entre os jovens de até 25 anos, o desemprego supera os 40%

Desde de 2008, surgiram os jovens partidos Ciudadanos (de centro-direita e liberal) e Podemos (mais à esquerda que o PSOE). O Podemos acabou por absorver um eleitorado que estava descontente com a economia e com o PSOE, cada vez mais conservador e envolvido em escândalos de corrupção.

“O PSOE foi se degradando porque tem uma base social muito pequena e pouca penetração no movimento operário”, diz o cientista político Reginaldo Moraes, da Unicamp. “O que o Podemos está fazendo, em certa medida, é ocupar o espaço que a social-democracia deixou de ocupar”.

A posição dos socialistas no novo governo Rajoy ainda é incerta: não se sabe se o partido liderará a esquerda e fará uma oposição combativa, ou se perderá esse lugar para o Podemos. É hora de repensar seu futuro e seu papel na política do país.