Escócia: pedido de separação?

Desde que o Reino Unido decidiu, por meio de referendo, se desvincular da União Europeia, a Escócia já pensa em fazer sua própria votação, para não ser mais considerado um país britânico. Nesta quinta-feira, o Partido Nacional Escocês, que governa a região, realiza seu congresso anual com 3.000 delegados, e o desejo de independência deve ser o ponto principal das discussões em Glasgow.

Em 2014, os eleitores escoceses já haviam decidido a questão nas urnas. Num referendo, 55% preferiram continuar a fazer parte do Reino Unido. Os líderes do partido, porém, alegam que, com a saída do país da União Europeia e a consequente quebra das relações comerciais e políticas com o bloco, a sustentabilidade da Escócia estaria ameaçada. A primeira-ministra Nicola Sturgeon, líder do Partido Nacional, afirmou que vai tentar “todas as opções” para proteger os interesses do país.

No referendo de junho, que culminou no Brexit, os eleitores escoceses de fato deixaram de lado o nacionalismo: 62% dos eleitores preferiram continuar na União Europeia. Na Irlanda do Norte, 55,7% também. A decisão separatista liderada por Inglaterra e País de Gales provocou um racha dentro do próprio país. Para outros líderes do partido, porém, é preciso cautela. O conselheiro Toni Giugliano afirma que conversar com a população sobre um novo referendo, sem antes discutir moeda, aposentadorias e financiamento de pesquisas, por exemplo, é precipitado.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, tem sido pressionada para negociar o caso da Escócia separadamente junto à União Europeia, garantindo que, mesmo com o Brexit, a região possa continuar a fazer parte do bloco. May, entretanto, tem sido taxativa: a decisão tomada por meio de referendo é inegociável e não haverá exceções. A escocesa Nicola Sturgeon, por sua vez, também deve lutar até o fim pela independência, ciente de que uma derrota num novo referendo enterraria o Partido Nacional nas próximas eleições, que há dez anos governa o país.