Escândalo abre oportunidade para revisão geral na Volkswagen

Segundo The New York Times, saída de Peter Hartz, chefe de pessoal da VW, pode demarcar uma nova era para a companhia, mais voltada para o mercado e para a busca dos lucros

Às vezes os escândalos são saudáveis. Segundo reportagem do jornal americano The New York Times desta quinta-feira (14/7), isso ocorre especialmente quando servem de pretexto para uma faxina há muito tempo necessária. Ontem, o número 2 na hierarquia da montadora alemã Volkswagen, Wolfgang Bernhard, apresentou seus planos para recuperar a empresa.

A lista de problemas não é desprezível. Vendas anêmicas, qualidade em deterioração, dificuldades no mercado chinês. Mas, aparentemente, a gota d’água foi o escândalo envolvendo o pagamento de subornos e outros favores a líderes sindicais. Para analistas ouvidos pelo New York Times, justamente esse escândalo acabou fortalecendo a autoridade de Bernhard.

A saída de Peter Hartz, chefe de pessoal da VW — o epicentro de um esquema de corrupção envolvendo gerentes, sindicalistas, representantes dos funcionários e políticos –, e a ascensão de Bernhard, pode significar uma nova era para a companhia, em que a administração tenha mais autonomia e efetividade sobre os trabalhadores e sobre os sindicatos. “Os acionistas poderão ter mais voz nos assuntos operacionais da companhia”, afirma o New York Times. “Lentamente, a Volkswagen pode tornar-se mais orientada ao mercado e aos lucros”, diz um analista ouvido pelo jornal.

As palavras de Bernhard, em sua primeira conferência telefônica com analistas, assumiram um tom apocalíptico. “Não há nada diante de nós que seja positivo. Se não pudermos sobreviver aqui na Volkswagen, então a Europa industrial estará a caminho da morte”, afirmou o executivo. O plano esboçado por Bernhard para evitar a catástrofe final envolve o corte de 6,12 bilhões de dólares em custos até 2008. Bernhard não mencionou o escândalo durante a teleconferência.