Equador: a eleição da corrupção

Os eleitores equatorianos vão às urnas no domingo para escolher seu próximo presidente num cenário conturbado. Com as delações da empreiteira Odebrecht nos Estados Unidos, que revelou possíveis repasses de propinas para governos de 12 países na América Latina – o Equador incluso, a corrupção virou o principal tema da campanha. O principal afetado é o candidato socialista Lenín Moreno, da Alianza País, escolhido para ser o sucessor do atual presidente, Rafael Correa.

De acordo com os documentos do Ministério de Justiça americano, servidores equatorianos receberam 33 milhões de dólares em propina da Odebrecht entre 2007 e 2016 – justamente o período que comprime os dois mandatos de Correa. Seu candidato ainda é favorito nas pesquisas, com 32% das intenções de voto, mas o mau desempenho da economia e os escândalos de corrupção deixam o cenário aberto.

Foram dois anos consecutivos de recessão e, na capital Quito, o desemprego chegou a 9,1% em dezembro – quase duas vezes mais alto do que os 4,9% de 2015. Apesar de, no país como um todo, a taxa de desemprego estar em 5,2%, a mais baixa da América do Sul, 500.000 pessoas migraram para subempregos no último ano. O fim da bonança do petróleo foi péssima para o Equador, uma vez que o combustível responde por cerca de 40% das exportações do país.

Bom para o ex-banqueiro conservador Guillermo Lasso, que está com 21,5% das intenções de voto e deve levar a decisão para o segundo turno. Mas não será fácil desbancar o correísmo: a oposição está fragmentada, com sete candidatos disputando a atenção dos eleitores. E os equatorianos, acostumados com um líder popular (a gestão de Correa é aprovada por 60% da população), não têm à disposição nenhum candidato carismático. Cerca de 30% dos eleitores ainda estão indecisos – fato inédito no Equador. Sobram candidatos, falta opção.