Enviado da ONU está no Egito para negociar paz na Síria

É a primeira etapa da nova missão de paz, depois de quase 18 meses de uma onda de violência na Síria que levou mais de 25 mil pessoas à morte

Brasília – O novo enviado das Nações Unidas e da Liga Árabe à Síria, o argelino Lakhdar Brahimi, chegou hoje (10) ao Cairo, no Egito. É a primeira etapa da nova missão de paz, depois de quase 18 meses de uma onda de violência na Síria que levou mais de 25 mil pessoas à morte, segundo organizações não governamentais (ONG). Antes da missão, Brahimi reconheceu que a tarefa é árdua.

Em Alepo, a segunda maior cidade síria, ocorre a principal disputa entre as forças do governo e da oposição. Somente hoje foram registrados 17 mortos e 40 feridos. O número de refugiados em busca de abrigo nos países vizinhos – Líbano, Jordânia e Iraque principalmente – aumenta diariamente.

A ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos informou que vários bairros de Alepo, como Souk Al Hal, Tariq Al Bab e Hanano, foram bombardeados pelo Exército e ocorrem combates entre as forças leais ao governo e a oposição, inclusive nas imediações do quartel de Hanano.

No cargo há nove dias, Brahimi substitui Kofi Annan, que renunciou depois de ver fracassados os seus esforços. O porta-voz de Brahmi, Ahmad Fawzi, disse que ele irá se reunir com o presidente egípcio, Mohammed Morsi, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Al Arabi, e integrantes da oposição da Síria.

Morsi é um dos críticos do governo do presidente da Síria, Bashar Al Assad. O presidente egípcio defende o fim da disputa política no país vizinho e diz que há uma guerra que torna os civis vítimas. Já Brahimi costuma reiterar que o futuro da Síria será “determinado pelo seu povo e por mais ninguém”. Ele disse que está “assustado” com a tarefa e que espera “o apoio da comunidade internacional”.

Brahimi conversou, por telefone, com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Ali Akbar Salehi, e considera a possibilidade de ir a Teerã. O Irã é um dos principais aliados de Assad, assim como a China e a Rússia, que resistem às medidas intervencionistas em território sírio.