Empresas européias vivem febre de fusões e aquisições

<I>Onda é incomum não só pelo grande volume financeiro envolvido, mas pela agressividade</I>

Considerando apenas os primeiros dias úteis de setembro, o valor total envolvido em potenciais fusões e aquisições de companhias européis alcança 70 bilhões de dólares. Desde o início de agosto, estão em jogo 123 bilhões de dólares, 33 bilhões acima do negociado em mesmo período do ano passado, segundo a Thomson Financial.

A onda é incomum, diz reportagem do diário americano The Wall Street Journal, não só pelo volume financeiro envolvido, mas pela agressividade. Muitas das operações registradas recentemente são tentativas de tomada hostil (quando o bloco de controle da empresa-alvo não está à venda, e portanto a oferta não é bem-vinda) ou verdadeiros leilões entre concorrentes.

Entre os motivos dessa onda, há situações como a de corporações que finalizaram recentemente grandes programas de redução de custos — e agora dispõem de caixa para grandes transações — ou de empresas forçadas a buscar mercados em outros lugares, devido ao fraco desempenho econômico do país em que estão sediadas — caso da Alemanha e da Itália. Além disso, quando uma companhia realiza uma grande aquisição, as concorrentes buscam fazer o mesmo para não ser engolidas pela rival, disparando uma reação em cadeia que explica a agressividade das operações recentes.

O Wall Street cita a oferta hostil da Gas Natural pela Endesa, na Espanha. A oferta foi rejeitada pela Endesa, o que deve iniciar uma luta com meses de duração. A alemã E.On anunciou nesta semana que estuda a aquisição da Scottish Power, do Reino Unido, companhia avaliada em 20 bilhões de dólares. O Deutsche Post declarou que está tentando comprar a Exel, da área logística, também do Reino Unido, por 7 bilhões de dólares.