Embaixador russo define caso Skripal como partida de xadrez

Yakovenko disse que a Rússia pretende esclarecer todas as incongruências relacionadas ao caso do ex-espião russo

Moscou – O embaixador da Rússia no Reino Unido, Alexander Yakovenko, definiu nesta sexta-feira a relação com o Reino Unido no caso do envenenamento do ex-espião Sergei Skripal e sua filha Yulia como uma “grande partida de xadrez”.

“É uma grande partida de xadrez, que vamos jogar”, disse o diplomata em entrevista à rede de televisão russa “Rossiya-24”.

Segundo Yakovenko, uma campanha informativa foi orquestrada contra a Rússia em torno do caso Skripal, que, apesar de bem organizada, apresenta um “grande número de incongruências”.

“Estudamos detalhadamente este assunto e surgiu um grande número de incongruências na postura dos britânicos, e estamos nos debruçando sobre isso agora”, disse o embaixador.

Yakovenko acrescentou que o propósito da Rússia é “esclarecer todas as circunstâncias relacionadas com esta provocação (o envenenamento de Skripal e sua filha)”.

“Chegará o dia em que o povo da Grã-Bretanha entenderá que precisa de outras pessoas no governo, que manterão outro tipo de relações com a Rússia”, manifestou Yakovenko, que ressaltou que Moscou sempre está aberta à cooperação construtiva.

Para o diplomata, a parte russa possui “paciência estratégica”, mas não tolera quando alguém fala da maneira como fez o ministro da Defesa britânico, Gavin Williamson, que disse ontem que a Rússia deveria “sair e se calar”.

“Nós temos uma cultura política diferente; a propósito, nas declarações das autoridades russas você nunca ouvirá grosserias como as que ouvimos das suas autoridades (britânicas)”, disse Yakoveko ao entrevistador

O embaixador reiterou que as recentes declarações formuladas em Londres por alguns deputados e especialistas sobre supostos planos de lançar ciberataques contra a Rússia devem ser levadas em conta.

“É um assunto muito grave, porque fazer declarações de que lançará um ciberataque contra a Rússia é uma ameaça real de uso da força”, explicou Yakovenko.