Embaixada da Rússia no Reino Unido pede informação sobre espião

Embaixada disse estar "seriamente preocupada" pelo caso Skripal e sua filha Julia, hospitalizados depois de contato com substância desconhecida

Moscou – A embaixada da Rússia no Reino Unido pediu nesta terça-feira que as autoridades britânicas lhe proporcionem informação oficial sobre o caso do suposto envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal na cidade de Salisbury.

“Consideramos que as autoridades britânicas e os serviços de segurança devem intervir imediatamente e informar à embaixada da Rússia e à sociedade britânica sobre a situação real, para pôr fim à demonização da Rússia”, declarou a legação diplomática em uma publicação na sua página do Facebook.

A embaixada disse estar “seriamente preocupada” por este caso, no qual Skripal, de 66 anos, e sua filha Julia, de 33, estão hospitalizados em estado grave após serem encontrados inconscientes no domingo nessa cidade britânica depois de um contato com uma substância desconhecida, e especialmente pelas rápidas acusações contra a Rússia.

“Embora as forças de segurança britânicas não tenham feito declarações substanciais algumas sobre o ocorrido, a julgar pelo que publicam os meios de comunicação pode-se dar a sensação que se trata supostamente de um ato planejado por parte dos serviços secretos russos, o que não corresponde com a realidade em absoluto”, afirmou a missão no comunicado.

A declaração da embaixada foi publicada antes que o ministro de Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, advertisse no parlamento que Londres responderá com contundência se descobrir que a Rússia está por trás da intoxicação de Skripal.

Em um pronunciamento na Câmara dos Comuns para abordar o caso de Skripal, Johnson garantiu que o governo britânico tomará “todas as medidas necessárias” para assegurar que nenhum crime fique “impune”.

Skripal, condenado em seu país por alta traição e depois libertado durante uma troca de espiões com o Ocidente, permanece em estado grave em um hospital de Salisbury, no centro da Inglaterra, com sintomas de envenenamento, em um caso que lembra o do ex-agente russo Alexander Litvinenko, assassinado em 2006 em Londres com polônio radiativo.

Os meios de comunicação britânicos indicaram que a substância utilizada poderia ser fentanil, um opiáceo sintético muito mais forte que a morfina, que pode ser mortal inclusive em pequenas doses.

Skripal foi um agente duplo que já colaborou também durante anos com os serviços de espionagem britânicos MI6, razão pela qual passou quatro anos preso na Rússia condenado a 13 por alta traição, antes de ser libertado em virtude de um acordo de troca de espiões.