Em tensões crescentes com Irã, Pompeo vai à Rússia

Depois de encontrar líderes europeus em Bruxelas, secretário de Estado norte-americano viaja para Sochi para reunião com o presidente russo Vladimir Putin

Estados Unidos e Rússia estão empenhados em melhorar a conturbada relação. O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, viaja à cidade russa de Sochi nesta terça-feira, 14, para encontrar o presidente Vladimir Putin e o ministro russo de Relações Exteriores, Sergei Lavrov. A reunião acontece uma semana após Lavrov e Pompeo terem conversado durante o Conselho do Ártico e menos de duas semanas depois do telefonema de uma hora entre Putin e o presidente norte-americano Donald Trump.

Um dos pontos centrais do encontro serão as crescentes tensões norte-americanas com o Irã, das quais emergem “múltiplos fatores”, segundo os Estados Unidos. Na semana passada, o Irã informou que diminuiria seus compromissos nucleares e, em resposta, os Estados Unidos aplicaram novas sanções aos produtos do país, o que fez o governo do presidente iraniano Hassan Rohani afirmar que os norte-americanos desencadearam “guerra total”. No ano passado, o presidente Donald Trump já havia retirado os EUA de um acordo nuclear com o Irã. Nesta segunda-feira, 13, navios de carga de aliados (como a Arábia Saudita) foram alvo de sabotagem ligados ao governo iraniano.

A relação com o Irã e a Rússia também é tópico na Síria, onde russos e iranianos apoiam o governo do ditador sírio Bashar al-Assad. Diplomatas norte-americanos esperam que o desejo de estabilizar a região force Putin a negociar com o Irã para levar Assad a alguma negociação que encerre o conflito de oito anos.

De acordo com os planos iniciais, Pompeo deveria estar na Rússia desde segunda-feira, 13, mas a recente escalada nas tensões com o Irã forçaram o secretário de Estado a fazer um desvio e ir até Bruxelas, na Bélgica, onde também dialogou com lideranças europeias sobre as tensões com os iranianos.

Pompeo também deve levar para a conversa com a Rússia outros temas sobre os quais divergem, como as situações na Venezuela e na Coreia do Norte e a interferência russa nas eleições de outros países (interferência que Trump espera ser página virada nos EUA após o “Relatório Mueller”, que investigava o tema, ser finalizado sem acusações a seu governo). 

A viagem de Pompeo abre caminho para que se confirme um possível encontro entre Trump e Putin na reunião de cúpula do G20, no fim de junho. O Departamento de Estado americano afirmou que não é segredo que os EUA tenham várias áreas de desentendimento com a Rússia, mas disse estar aberto a uma conversa franca. O que ainda não está claro é até onde Putin e Trump estão dispostos a trabalhar em conjunto.