Em 2010, China ultrapassa EUA e Alemanha em exportações

No primeiro estudo oficial sobre o país, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico aponta avanços e gargalos da economia chinesa

A China pode tornar-se o maior país exportador do mundo em 2010, ultrapassando os Estados Unidos e a Alemanha. De acordo com o primeiro relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre a China, as vendas externas de bens e serviços chineses vão representar 10% do comércio global, ante 6% atualmente.

Para a OCDE, o ritmo de expansão da China nas últimas décadas — média anual de 9,5% — provavelmente será mantido por mais algum tempo. Mas será preciso vencer uma série de gargalos. Bem mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) chinês já vem do setor privado, também responsável pela maioria dos novos empregos. Mas a aplicação das leis relativas à esfera econômica deve ser mais efetiva, diz o relatório, especialmente as normas que protegem os direitos de propriedade intelectual.

Outro conhecido problema do gigante asiático é o sistema financeiro, quase totalmente controlado pelo Estado. Mas a OCDE já vê bons resultados do esforço iniciado há cinco anos para lidar com a acumulação de uma quantidade considerável de empréstimos podres ou non-performing loans (NPLs). “Reformas amplas aprimoraram a capacidade dos bancos de tomar decisões de financiamento por critérios de mercado”, afirma o relatório. O resultado é que os novos empréstimos têm sido de qualidade muito superior, mesmo quando julgados por novos critérios, mais realistas, de classificação de NPLs.

O crescimento econômico também favorece a mitigação das fragilidades do sistema financeiro chinês. Graças à expansão econômica, os NPLs caíram de 50% do PIB em 1999 para 30%.

A OCDE pede a desregulamentação dos mercados de capitais para obter melhor alocação de recursos — fundamental para o crescimento sustentado –, diminuir riscos de desperdício da poupança nacional e minimizar o perigo de colapso sistêmico. É fundamental, diz a organização, que as empresas privadas tenham acesso facilitado a financiamentos através dos mercados de ações e de títulos mobiliários corporativos (este último representa apenas 1% do PIB chinês).

Recomendações

Para a OCDE, as finanças públicas do país estão em bom estado. A dívida pública em relação ao PIB, por exemplo, está em 23%. Mas o gasto público em educação e saúde está baixo e deveria ser incrementado, diz a organização. E o sistema previdenciário precisa de reformas, pois nas próximas duas décadas haverá um rápido crescimento da proporção de idosos na população chinesa. O relatório recomenda uma elevação da idade mínima para aposentadoria.