Em 1° comício do ano, Trump deve usar Irã como arma em Ohio

O presidente busca conseguir votos em um dos principais redutos eleitorais do país ao mesmo tempo em que enfrenta um processo de impeachment

São Paulo — Há um ditado político comum nos Estados Unidos que diz que quem vence as eleições em Ohio, vence no país. Desde o século 19, nenhum candidato republicano entrou na Casa Branca sem triunfar no Estado, local escolhido por Donald Trump para a realização de seu primeiro comício eleitoral do ano nesta quinta-feira. 

Além de abrir o calendário das campanhas políticas de 2020, o comício também será o primeiro após a escalada de tensão entre Washington e Teerã, o que deve ser utilizado como mais uma arma do presidente norte-americano para conquistar eleitores. Em 2016, Trump conseguiu uma vitória avassaladora no estado, e os votos dos 18 delegados foi essencial para sedimentar sua chegada à Casa Branca. 

Ontem, em um discurso realizado após os ataques iranianos em bases americanas, Trump disse que o país não permitirá que seus cidadãos sejam ameaçados e advertiu Teerã sobre novas sanções econômicas. Historicamente, a curto prazo, conflitos externos ajudaram ex-presidentes norte-americanos a conquistar maior apoio popular.

Em um ano em que vai tentar a reeleição, o já conhecido apelo de união sob uma mesma bandeira deve ser utilizado por Trump em seus próximos comícios. Com o mesmo argumento, em 1991, George Bush conseguiu um impulso de sua popularidade em meio à guerra do Golfo. O feito também se repetiu com Bush filho após a invasão do Iraque.

Além de potencialmente ajudar Trump a ganhar popularidade, a tensão com o Irã vem deixando o processo de impeachment que está sendo movido contra o presidente em segundo plano. 

No campo político, Trump já conseguiu arrecadar astronômicos 143 milhões de dólares para sua campanha, o que, no limite, indica que seus apoiadores confiam em sua reeleição. A economia, indicador eleitoral fundamental nos EUA, também vai bem, o que deve beneficiar o presidente. O comício desta quinta-feira deve dizer como o presidente utilizará politicamente a encrenca que arranjou com o Irã para a surpresa de ninguém, certamente usará a seu favor.