Eleições na Itália: uma tragédia grega em Roma?

ÀS SETE - Os conflitos políticos no país europeu já duram um ano, e neste domingo a população finalmente irá às urnas para eleger um novo parlamento

Um imbróglio com mais de um ano de duração deve chegar ao fim neste domingo na Itália, quando a população irá às urnas para eleger um novo parlamento para o país.

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O parlamento foi dissolvido no final do ano passado para abrir espaço para as eleições gerais deste ano, as primeiras desde 2013 e que devem dar uma nova tônica para a política partidária da Itália, onde mais uma vez forças populistas se mostram presentes.

O favorito para receber uma parcela considerável dos votos e reaver seu cargo como primeiro ministro italiano é Matteo Renzi, do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda. Ele abdicou há 15 meses quando falhou em aprovar uma reforma parlamentar robusta, que tiraria muito do poder do Senado.

Renzi luta para retirar a imagem de corrupto posta aos partidos de centro-esquerda por esquemas antigos e também para passar uma visão mais dura em imigração, um dos temas importantes do pleito. Renzi tem cerca de 24% das intenções de voto segundo as últimas pesquisas.

Seu principal opositor é Luigi di Maio, do partido anti-establishment Movimento 5 Estrelas, uma legenda em ascensão no país que ganhou novos ares com a nova liderança.

Conhecido por maneiras impecáveis e ternos bem cortados, di Maio é um millennial fotogênico que pode se tornar o primeiro-ministro mais jovem da Itália, com apenas 31 anos. Ele tem 27% dos votos segundo as pesquisas, mas teria dificuldade em estabelecer uma maioria no parlamento.

Há ainda um nome mais do que conhecido da política italiana, o ex-primeiro ministro Silvio Berlusconi, que, com 81 anos, retorna para sua sétima eleição.

Fundador do partido conservador Forza Italia, a presença de Berlusconi na eleição é bastante incerta, na medida que entraves do político com a justiça o impedem de ocupar o cargo antes de 2019 — ele escapou da cadeia por causa da idade, mas foi condenado à prisão domiciliar e a prestar serviços comunitários.

Suas ideias anti-União Europeia, a favor de cortes de impostos e pró-negócios ganharam tração e o levaram a alcançar 16% das pesquisas. Mas um retorno é (bastante) improvável. Um de seus principais aliados também causa calafrios: Matteo Salvini, da Liga do Norte, conhecido por seus discursos anti-imigração.

Os italianos são tradicionalmente politizados e engajados: o voto deixou de ser obrigatório no país em 1992 e desde então o comparecimento às urnas só caiu abaixo de 80% uma vez, em 2013. Além do desencanto, esse ano os eleitores têm um desafio extra: a neve, que cai acima do previsto em quase todas as regiões do país.