Eleições 2018: o que pensa Henrique Meirelles sobre política externa

EXAME questionou os candidatos à presidência sobre os desafios em política externa que o Brasil enfrenta. Veja a entrevista de Henrique Meirelles

São Paulo – Crise na Venezuela, refugiados, integração latino-americana e Donald Trump são alguns dos desafios que o próximo presidente enfrentará em sua agenda de política externa, um tema que é frequentemente ignorado nos debates, mas extremamente relevante em um momento em que o cenário internacional se torna cada vez mais complexo.

Para entender como os candidatos à presidência se posicionam sobre esses assuntos, EXAME está entrevistando os principais nomes na disputa das eleições 2018. Abaixo, veja a entrevista realizada com o Henrique Meirelles (MDB).

EXAME – Como o seu governo pretende lidar com a imigração de venezuelanos para o Brasil e qual será a sua postura em relação ao governo de Nicolás Maduro, se eleito?

Henrique Meirelles – A questão da imigração de venezuelanos é uma tragédia humanitária de grandes proporções. Vamos continuar a dar apoio ao estado de Roraima e intensificar a política de internalização dos imigrantes. É importante, inclusive, reforçar a prevenção de doenças como o sarampo, etc.

Quanto ao governo Maduro, vamos aumentar os esforços nas organizações multilaterais no sentido de reforçar a atuação destas organizações para reduzir a gravidade da crise venezuelana e, desta forma, evitar que o desenlace seja ainda mais dramático.

EXAME – Atuar por uma maior integração com a América Latina será uma prioridade em seu governo?

Henrique Meirelles – Sim. Mas sem desprezar outras regiões importantes, como a América do Norte, a União Europeia e a Ásia.

EXAME – O narcotráfico é hoje uma das maiores ameaças à segurança nacional e é uma questão que não está dissociada da política externa, uma vez que envolve países vizinhos. Qual é a sua proposta para combater o tráfico internacional?

Henrique Meirelles – Diplomacia, inteligência e policiamento ostensivo nas fronteiras. Esta é a combinação que será utilizada para evitar o aumento do narcotráfico. Diplomacia e inteligência são fundamentais para desenvolver projetos conjuntos entre os países. E o policiamento ostensivo, utilizando tecnologia moderna e de ponta, é uma ação fundamental para reduzir a sensação de impunidade, que é um dos principais fatores de incentivo ao crime.

EXAME – O Mercosul e a União Europeia estão em negociação há anos por um acordo de livre-comércio entre os blocos. Qual é a posição do senhor sobre este acordo?

Henrique Meirelles – Vamos desenvolver esforços no sentido de assinar este acordo de livre-comércio o mais rápido possível. O Brasil é um dos países que têm menos acordos comerciais do mundo. Com a estratégia do presidente Donald Trump de valorizar acordos bilaterais em detrimento de acordos multilaterais, é fundamental para o Brasil aumentar seus acordos de comércio para evitar perda de acesso a importantes mercados externos. Quando ministro da Fazenda, já adotei esta estratégia de buscar acordos comerciais. Vou intensificar este processo.

EXAME – Qual é a importância que o grupo dos BRICS terá em seu governo?

Henrique Meirelles – Os BRICS têm grande importância, na medida em que agregam um conjunto economicamente importante de países, com um grande volume de comércio entre eles. Já está em discussão a utilização de recursos do banco dos BRICS para financiar projetos de infraestrutura no país, o que será bastante positivo.

EXAME – A guerra comercial entre China e Estados Unidos afeta o Brasil diretamente em diferentes segmentos. Qual será a sua estratégia lidar com a disputa comercial?

Henrique Meirelles – O presidente Donald Trump está indo no caminho errado. O protecionismo é um caminho que nós já seguimos no Brasil e deu errado. É inaceitável que o Brasil deixe e aceite, de uma certa maneira, a existência dessas restrições aos produtos brasileiros, como a taxação ao etanol. O comércio internacional é duro. Não podemos esperar que os outros sejam bonzinhos e nos entendam. Não. Temos que defender nossos interesses com dureza. Nessa guerra, os EUA colocaram taxação sobre alguns produtos e os chineses foram lá e retaliaram na mesma hora. E os americanos pararam para pensar. Vamos defender o que fazemos aqui e contra-atacar aqueles que nos impõem sanções. Temos que defender nossos interesses, promover negociações duras com cada país e, caso haja insistência, já demonstrar claramente quais serão as medidas brasileiras.

EXAME – O multilateralismo vem sendo colocado em xeque pelos Estados Unidos. O senhor é favor do fortalecimento das organizações multilaterais, como a ONU e a OMC? Ou pretende focar nas negociações bilaterais?

Henrique Meirelles – Minha avaliação é que as organizações multilaterais, principalmente no caso do comércio, são muito importantes. Vamos atuar para reforçar estas organizações. Entretanto, isto não significa abandonar as negociações bilaterais, como foi feito nos governos anteriores. Vamos destravar a negociação com a União Europeia e desenvolver esforços dentro do Mercosul neste sentido.

Metodologia EXAME

As perguntas que compõem a entrevista deste especial foram compiladas com base em entrevistas realizadas por EXAME com especialistas em política externa de diferentes setores e organizações. Participaram embaixadores e empresários do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e pesquisadores de instituições como o Instituto de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), da Puc-Rio, da ESPM e das Faculdades Integradas Rio Branco.

A partir desse levantamento, a reportagem produziu sete perguntas para os candidatos que registravam ao menos 1% de intenção de voto segundo pesquisa Datafolha publicada em 22/08/2018: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), agora substituído por Fernando Haddad (PT), Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Álvaro Dias (Podemos), João Amoêdo (Novo), Henrique Meirelles (MDB), Guilherme Boulos (PSOL), Cabo Daciolo (Patriota) e Vera Lúcia (PSTU).

Abaixo veja as entrevistas já publicadas:

Álvaro Dias (Podemos)

Guilherme Boulos (PSOL) 

Henrique Meirelles (MDB)

Geraldo Alckmin (PSDB)

João Amoêdo (NOVO)

Fernando Haddad (PT)

Vera Lúcia (PSTU) -> 19/09, às 06h00

Estes são os candidatos que ainda não se manifestaram sobre as demandas da reportagem:

Cabo Daciolo (Patriota)

Ciro Gomes (PDT)

Jair Bolsonaro (PSL)

Marina Silva (REDE)

A entrevista é composta das mesmas perguntas para todos os candidatos, essas enviadas no mesmo dia e com igual prazo para resposta, 15 dias. A publicação está acontecendo de acordo com a ordem de recebimento.

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  1. Marcia Candido

    Eu já fiz a escolha do meu candidato a presidência esse ano. Vou de Geraldo Alckmin.

  2. Bruno Santana

    Precisamos de um candidato como Geraldo para estar à frente do país, sem extremismo e aventura.