Economia japonesa e Toyota sentem impacto de crise

No relatório de abril, governo revisou expectativas de crescimento para baixo, pela primeira vez em 6 meses

Tóquio – O terremoto e a crise nuclear continuam exercendo forte impacto sobre toda a economia do Japão, onde o governo reduziu nesta quarta-feira as expectativas de crescimento e a Toyota, maior montadora do país, anunciou a suspensão por oito dias de sua linha de produção de automóveis em cinco fábricas europeias.

Em seu relatório de abril, o governo revisou para baixo pela primeira vez em seis meses suas expectativas de expansão da economia, abalada pela catástrofe do dia 11 de março, que deixou mais de 13.000 mortos e cerca de 15.000 desaparecidos.

Os desastres naturais provocaram ainda um acidente nuclear na central de Fukushima, na região nordeste, com vazamentos radioativos que obrigaram a evacuação de centenas de milhares de pessoas na área.

“A conjuntura, que estava melhorando, vive um período de debilitamento provocado pelas consequências do grande terremoto no nordeste do Japão”, admite o governo.

O consumo familiar, que antes de 11 de março começava a aumentar, tende a cair por causa dos efeitos da catástrofe, constata o relatório.


Além disso, as autoridades manifestam preocupação com uma eventual queda das exportações, motor da economia japonesa, tanto pela desorganização das atividades provocada pelos desastres quanto pelo medo dos países importadores de produtos contaminados pela radiação de Fukushima.

Vários países já impuseram restrições à compra de mercadorias japonesas.

A produção industrial também caiu, não apenas por causa da destruição de fábricas de materiais, componentes e insumos, mas também devido à escassez de eletricidade e a queda da demanda.

A Toyota, maior fabricante mundial de automóveis, anunciou nesta quarta-feira que suspenderá sua produção em cinco fábricas europeias durante oito dias, a partir do final de abril, diante da falta de peças de reposição procedentes do Japão, depois de ter tomado medidas semelhantes em suas unidades da América do Norte.

A paralisação envolve as montadoras da Toyota em Onnaing (França), Burnaston (Grã-Bretanha) e Adapazari (Turquia), e as fábricas de motores de Jelcz-Laskowice (Polônia) e Deeside (Grã-Bretanha).

O governo, que calcula os danos materiais do terremoto seguido de tsunami em cerca de 25 bilhões de ienes (301,6 bilhões de dólares), prevê um orçamento suplementar de estímulo da ordem de 4 bilhões de ienes (47 bilhões de dólares).