Economia americana vai desacelerar em 2005

Projeções apontam expansão de 3,6%, contra os 3,9% registrados no acumulado até setembro de 2004

A economia dos Estados Unidos deve apresentar uma ligeira desaceleração neste ano. O Produto Interno Bruto (PIB) do país deverá crescer 3,6% em 2005, segundo pesquisa do americano The Wall Street Journal com 56 economistas. A projeção fica abaixo do crescimento de 3,9% registrado entre janeiro e setembro de 2004. O ritmo menos intenso de expansão, porém, é bem-vindo pelos analistas, porque ajudaria o país a crescer sem enfrentar graves pressões inflacionárias. Com isso, o Federal Reserve (Fed), o banco central do país, não precisará aumentar muito as taxas de juros. “Um crescimento modesto removerá gradualmente os entraves no mercado de trabalho e na indústria, sem elevar a inflação”, afirma um relatório da consultoria Macroeconomic Advisers LLC.

As expectativas de uma expansão moderada baseiam-se em diversos pressupostos. Os principais são a estabilidade, ou mesmo uma leve queda, do preço internacional do petróleo neste ano, após bater o recorde de 55 dólares por barril no ano passado. Uma evolução favorável dessa questão ajudará a conter a inflação americana, dizem os analistas, e incentivar o consumo interno, que perdeu fôlego nos últimos meses devido ao aumento dos combustíveis.

Com a inflação sob controle, os economistas consultados por The Wall Street Journal acreditam que o Fed mostrará moderação nos próximos aumentos das taxas de juros. O consenso é de que as taxas de curto prazo subirão para 3%, em junho e encerrarão o ano em 3,5%. Atualmente, os juros estão no patamar de 2,25% ao ano. Em relação às taxas de longo prazo, espera-se que a remuneração dos títulos de dez anos do Tesouro ultrapassem os 5% ao ano até dezembro, diante dos 4,2% atuais.

Preocupações

Nem todas as variáveis estão a favor dos Estados Unidos em 2005. Uma conjunção de fatores preocupa os economistas, a ponto de projetarem 11% de chances de uma recessão americana neste ano e 22% de probabilidade em 2006. As principais fraquezas são os elevados déficits fiscal e comercial, o baixo nível de poupança interna e a complicada posição americana no comércio internacional. O leque de preocupações listadas para 2005 difere bastante dos pontos levantados nos últimos três anos, como o medo do terrorismo e o aumento dos custos da energia.

Para alguns economistas, também merece atenção a situação financeira do país. No terceiro trimestre de 2004, os Estados Unidos acumulavam um déficit em conta corrente igual a 5,6% do PIB. Sem condições internas de financiar o déficit, o governo americano está cada vez mais dependente dos investidores estrangeiros, sobretudo bancos centrais de outros países.