Economia americana entra em fase moderada de expansão

<EM>A boa notícia é que o Fed está vendo o que queria: um crescimento econômico baseado na produção e não no consumo. A má notícia é que o ritmo de elevação das exportações não pode nem começar um processo de reequilíbrio da balança comercial</EM>

A economia americana parece ter reassumido um ritmo sereno de expansão. Reportagem de The New York Times desta terça-feira (8/3) enumera alguns indicadores que apontariam para essa suave recuperação, como empresas investindo mais, inflação aparentemente moderada e emprego em alta (ainda que os salários reais não estejam crescendo). São indícios de um padrão aguardado pelos integrantes do Federal Reserve (Fed), o banco central americano: uma expansão econômica puxada pela produção, e não pelo consumo.

A percepção de economistas e investidores desse retorno a uma economia nem quente nem fria começa a se consolidar cinco anos depois do colapso do último boom da economia, quando o forte crescimento combinado à baixa inflação levou ao superaquecimento do mercado de ações, uma bolha que estourou em março de 2000, diz o jornal americano. Agora, muitos analistas reajustam suas previsões de crescimento para este ano, de cerca de 3,5% para 4% ou mais.

De todas as tendências, a mais animadora é o investimento das empresas. No setor de equipamentos e software, houve um aumento de 13,5% em 2004. O resultado já é positivo, mas o desempenho do último trimestre, anualizado, indica alta de 18%. Especialistas ouvidos pelo jornal afirmam que os gastos do ano passado foram direcionados à reposição e reparação de equipamentos, e devem seguir em 2005, mas voltados à expansão da capacidade produtiva.

Ainda persiste a preocupação com os desequilíbrios da economia americana, especialmente o déficit comercial superior a 600 bilhões de dólares registrado no ano passado. O pior é que a expectativa para 2005 é de ampliação do saldo negativo, aprofundando o “enorme endividamento externo”, diz The New York Times. Parte da culpa é do crescimento pífio da Europa e do Japão, com a conseqüente baixa exportação de produtos americanos para aqueles mercados.