Economia americana caiu no precipício, diz Warren Buffett

Para o megainvestidor, Estados Unidos ainda podem se recuperar, mas há o risco de inflação

Em entrevista à emissora americana CNBC nesta segunda-feira (9/3), o megainvestidor Warren Buffett comentou como vê a crise nos Estados Unidos. Para o bilionário, a economia do país “caiu num precipício”, mas ainda pode se recuperar.

Dar a volta por cima, no entanto, também envolve riscos. Segundo Buffett, a recuperação poderia desencadear um surto inflacionário pior que o vivenciado pelo país no final da década de 1970. Embora elogie os esforços do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, para levantar a economia, Buffett ressalta que não é possível mudar tudo em segundos. Os esforços para uma retomada da demanda poderão gerar alta nos preços. “Nós certamente estamos fazendo coisas que poderão levar à alta da inflação”, disse.

Em sua opinião, os Estados Unidos estão próximos do pior dos cenários. Devido à queda de atividade econômica e ao aumento do desemprego, o consumo e a confiança dos consumidores despencaram.

O megainvestidor solicitou a democratas e republicanos que deixem de lado suas diferenças e se unam sob a liderança do presidente Barack Obama para promover o que ele chamou de “guerra econômica”, capaz de trazer de volta a saúde da economia do país e restaurar a confiança no sistema bancário. “As pessoas estão confusas e com medo. Elas não podem se preocupar com os bancos, mas muitas delas estão preocupadas”, disse.

A entrevista de Buffett acontece nove dias após a Berkshire Hathaway, sua companhia de investimentos e seguros, anunciar uma queda de 96% em seu lucro do quarto trimestre devido, principalmente, a contratos de derivativos. Em 2008, o valor contábil por ação da empresa caiu 9,6%, o pior resultado desde que Buffett assumiu a empresa em 1965.

O megainvestidor diz que nem ele, nem os americanos previam a gravidade da queda nos preços das residências, fator que desencadeou a crise financeira. Para ele, a economia estava a um triz do colapso em setembro, quando o banco Lehman Brothers faliu e a gigante AIG recebeu sua primeira ajuda do governo.

Pedido aos bancos

Buffett também conclamou os bancos a retomarem suas operações e disse que grande parte deles poderia encontrar meios de ganhar mesmo com a recessão. Qualificando a “paralisia de confiança” no setor bancário como uma “bobagem”, já que existem salvaguardas, Buffett afirmou que “um banco que está indo à bancarrota deveria ser autorizado a quebrar”. Ele destacou que o Wells Fargo e o US Bancorp, dois bancos que fazem parte do porfólio da Berkshire, poderiam “aparecer melhor que nunca” daqui três anos, enquanto o Citibank – que não faz parte da carteira da Berkshire – provavelmente continuaria encolhendo.