E ela ainda entende de economia

Ex-operadora do mercado, a bela Marina Mantega diz que não é "apenas a filha do ministro" e afirma que, com esse governo, o Brasil tem tudo para crescer 5%

Alçada à categoria de celebridade pelo sobrenome, pela beleza e pelo frisson que causa em eventos cobiçados ou nos corredores de Brasília, Marina Mantega fez com que o pai Guido deixasse de ser assunto apenas nos círculos ligados à política e à economia. A filha do ministro da Fazenda ganhou a mídia com belas fotos e pelo recém-terminado namoro com o ator Marcos Paulo. Tanta exposição atiçou a curiosidade popular sobre as opiniões do pai em relação a sua carreira. Mas por trás do sobrenome, da beleza e do frissona jovem formada em administração de empresas mostra que, como Guido, também entende de economia. Aos 26 anos, ela já passou por estágios na Bovespa, na corretora Liquidez e na BM&F, onde ouviu “muita cantada”. Também teve um emprego no Bradesco, que a fez se acostumar ao ritmo alucinante das ordens de compra e venda do mercado financeiro, com a negociação de ações para uma carteira que somava 400 milhões de reais. Em entrevista ao Portal EXAME, Marina declara ser muito mais do que apenas a “filha de ministro”, tira dados econômicos da ponta da língua e se diz crente no avanço das finanças brasileiras – que, afinal, são comandadas por “uma pessoa muito correta e muito quadrada”, como define o pai. Ela não esconde, entretanto, a preferência pela carreira de atriz e admite que topa posar nua para revistas masculinas “se vier uma proposta boa”.

Portal EXAME – Como você entrou no mercado financeiro?

Marina Mantega – Entrei mais por curiosidade mesmo. Queria conhecer o que acontecia no mercado, entender o que o pessoal fazia no pregão, aquela gente toda falando no telefone. Eu também buscava minha independência financeira, comecei o estágio na Bovespa por isso, em 2000. As pessoas hoje me olham e dizem: “Você tem cara de ser patricinha”. Mas eu não dependo dos meus pais desde os 20 anos. Eu gostava muito de trabalhar no mercado financeiro. Na época me sentia importante, ia para a faculdade pensando “eu sou trader“, porque ficava mais inteirada sobre o que estava acontecendo no mundo. As pessoas conversam sempre sobre as mesmas coisas, muita futilidade, metade delas não sabe que a taxa de juros estava em 26,5% no início do governo do Lula. O meu trabalho me fazia ficar por dentro dessas coisas.

Portal EXAME – Depois da Bovespa, você estagiou na BM&F, na corretora Liquidez e foi operadora do Bradesco. Você chegou a sentir preconceito por ser uma das poucas mulheres entre os funcionários?

Marina – Não, preconceito nunca senti. Sempre me respeitaram muito. No Bradesco, eram 18 pessoas na minha área e só eu de mulher. Na Liquidez, 45 homens e 5 mulheres. O pior era a BM&F, 800 homens e uma mulher! Não tinha piada nem preconceito, era mais cantada mesmo. Fiquei lá pouco tempo, no máximo quatro meses.

Portal EXAME – Você era vista como funcionária ou como “filha de ministro”?

Marina – Eu escuto muito isso, “ela só está aqui porque é filha do ministro”. Mas o fato de ele ser meu pai nunca influenciou em nada. Eu sei que tenho de mostrar para as pessoas que eu sou boa. Se mexo com o dinheiro dos outros, eu não posso ser burra, concorda? Ninguém seria louco de deixar uma carteira de 400 milhões na minha mão se eu fosse burra. E meu pai nunca me deu liberdade para usar o nome dele. Ele é uma pessoa muito correta, muito quadrada. Acho que até por isso ele é um bom ministro. Mas no trabalho eu geralmente recebia só brincadeira. Às vezes reclamavam, qualquer coisa que acontecia no governo já me olhavam. Isso porque sabem que eu gosto muito do Lula e sempre vou gostar, independentemente de ser do PT. Nas eleições me provocavam, todos os meus amigos gostavam do PSDB. E eu falava: “Vem discutir, o Lula ganha do FHC em qualquer fundamento”. Até hoje tem gente que reclama do governo e pede para eu falar com meu pai.

Portal EXAME – Você já chegou a dar conselhos ao ministro?

Marina – Eu? Imagina! Não dou nenhum conselho, até porque ele tem uma equipe maravilhosa. Eu normalmente pergunto coisas, tiro dúvidas com ele. Agora, por exemplo, estão falando que a inflação vai ficar em 4,5% [a meta para 2009]. Aí eu faço pergunta de filha mesmo, se isso é bom, se isso é ruim. Mas ele é uma fonte 15 vezes pior para mim, é mais fácil eu ser a última a saber de alguma coisa do governo do que a primeira. Ele não gosta muito de conversar sobre essas coisas comigo.

Portal EXAME – Como ex-operadora, como você vê o mercado financeiro hoje?

Marina – Quando o Lula pegou a economia, o dólar tinha passado de 3 reais, o risco-país estava lá em cima, a taxa de juros também. Hoje a economia está mais consolidada. Por isso a Bolsa tem batido recordes atrás de recordes, está muito mais fácil fazer investimento. Acho que o investimento na Bolsa exige um acompanhamento diário. Aviação era uma boa escolha. Do ano passado para cá, desde que aconteceu a crise da Varig, as ações da Gol e da TAM se desvalorizaram muito. Acho que Vale e Petrobras são boas opções. Mas o legal é você diversificar, quanto mais, melhor. E o que vale é o longo prazo, porque você pode perder no fim do dia e ganhar no fim do ano. Às vezes eu via um cliente preocupado por estar perdendo e pedia que ele tivesse calma.

Portal EXAME – E a economia, você concorda com o rumo atual?

Marina – Houve desenvolvimento com distribuição de renda, estabilidade de preços, diminuição da vulnerabilidade externa. Temos que frisar nossa política comercial, a geração de empregos, a criação de universidades federais, as bolsas de estudos. O governo está fazendo muita coisa, só que obviamente você não consegue fazer tudo em quatro anos. O caos aéreo, por exemplo. Meu pai falou na semana passada sobre isso. [Mantega  afirmou que a crise era reflexo da prosperidade brasileira]. Ele quis dizer que as pessoas, há dez anos, não tinham poder aquisitivo para andar de avião. Hoje você pega ponte aérea por 50 reais. Antes as pessoas não tinham como visitar a família na Bahia e agora estão visitando todo ano.

Portal EXAME – O Brasil vai crescer 5% neste ano?

Marina – Eu acho que vai, estavam falando até em 5,5%, não é? Se eles aprofundarem a queda dos juros, a redução da relação entre a dívida pública e o PIB, cresce 5%. Precisam dar continuidade ao que já estão fazendo. O Brasil é um país extremamente rico, apesar de ter muitas pessoas pobres. Tem tudo para dar certo.