Durante protesto, Guaidó se declara presidente interino da Venezuela

Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela prestou juramento durante protesto contra o segundo mandato de Maduro. Governo dos EUA declara apoio a Guaidó

Caracas – O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, prestou juramento nesta quarta-feira como presidente interino do país durante uma grande manifestação em Caracas, que terminou com mortos e feridos.

Guaidó, de 35 anos, levantou a mão direita e disse que estava dando esse passo diante de centenas de milhares de venezuelanos em uma região no leste de Caracas. “Juro assumir formalmente as competências do Executivo nacional como presidente interino”, disse Guaidó sob aplausos.

Pela Constituição da Venezuela, a vaga presidencial pode ser preenchida pelo presidente da Assembléia Nacional. 

O jovem político, que assumiu a presidência da Casa em 05 de janeiro, é hoje figura essencial para a oposição em confronto com o presidente Nicolás Maduro, considerado por vários “ditador” e governante “ilegítimo”. 

À medida que a crise econômica mergulha  o país no caos, muitos estão desesperados por um novo líder que resgate a nação sob duas décadas de governos chavistas.

Dezenas de governos estrangeiros se recusaram a reconhecer o segundo mandato de Maduro, alguns inclusive já declararam apoio a Guaidó como presidente interino até que novas eleições possam ser realizadas.

É o caso do governo dos Estados Unidos. Na sequência das declarações do presidente da Assembleia, o vice-presidente americano, Mike Pence, anunciou que os EUA reconhecem Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela:

“A Guaido e ao povo da Venezuela: os EUA estão com vocês e nós vamos continuar assim até que a #Libertad [liberdade, em espanhol] seja restaurada”, escreveu Pence. 

Quem é Guaidó?

Guaidó estudou engenharia na Universidade Católica de Caracas e fez pós-graduação em gestão pública na universidade de George Washington, nos Estados Unidos, e no Instituto de Estudos Superiores de Administração em Caracas.

Construiu uma carreira de nove anos na Assembleia Nacional, cinco deles como deputado suplente (2011-2015) e quatro como titular. No Congresso, foi presidente da Comissão de Controladoria em 2017 e líder da oposição em 2018.

Antes de ser eleito para a Assembleia Nacional, estudava e colaborava politicamente com Leopoldo López, o líder da oposição atualmente em prisão domiciliar.

Para alguns de seus críticos, ele é inexperiente e com discurso ambíguo, enquanto outros o veem como um construtor de consensos, grande organizador e integrante da nova geração política que surgiu após os protestos estudantis de 2007.