Dissidentes do IRA enviam cartas-bomba a comandantes

Polícia da Irlanda do Norte interceptou duas cartas-bomba enviadas a dois altos comandantes da corporação

Dublin – O Serviço de Polícia da Irlanda do Norte (PSNI) interceptou nesta sexta-feira duas cartas-bomba enviadas a dois altos comandantes da corporação, entre eles seu líder, Matt Baggott, em uma ação atribuída a dissidentes do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA).

O primeiro dos artefatos, qualificado de “viável”, foi achado no escritório dos correios da cidade de Mallusk, situada ao norte de Belfast, e pretendia chegar até o escritório de Baggott no quartel-general da PSNI na capital da Irlanda do Norte.

A segunda carta-bomba também estava programada para explodir ao ser aberta e foi interceptada no centro dos correios da cidade de Lisburn, a sudoeste de Belfast, mas ainda não se sabe quem era seu destinatário.

Em ambos os casos, artífices do Exército britânico procederam à desativação dos artefatos, após manter as instalações isoladas durante várias horas, informaram fontes da PSNI.

O ministro norte-irlandês de Justiça, David Ford, qualificou hoje estas ações terroristas de “insensatas” e acusou a seus responsáveis de pôr em perigo a vida dos trabalhadores dos correios, aos que felicitou por sua “vigilância”.

As ações acontecem depois que os dissidentes do IRA protagonizaram nesta semana vários ataques com bombas de fabricação caseira contra carros da PSNI, o último deles nesta mesma manhã.

O “número dois” da PSNI, Brian Kerr, assegurou hoje que todos esses ataques estavam desenhados para “assassinar policiais“.

“Somos muito sortudos por não ter de falar hoje de vítimas mortas”, acrescentou o comando policial.

A ministra britânica para a Irlanda do Norte, Theresa Villiers, afirmou hoje que esses ataques demonstram a natureza “insensível e irresponsável” das dissidências do IRA, opostas ao processo de paz na região.

“Seus responsáveis não têm praticamente apoio algum (entre sua comunidade) e mostram ter um forte desprezo pela segurança dos que poderiam ter sido feridos”, disse a representante do governo de Londres na província britânica.

Villiers também ressaltou a figura de Matt Baggot e o “difícil papel” que desempenha para “desenvolver trabalhos policiais” em um “contexto problemático”.