Disputa entre Airbus e Boeing promete ser o caso mais custoso na OMC

OMC cria painéis para averiguar possíveis irregularidades no apoio público à européia Airbus e à americana Boeing

A Organização Mundial de Comércio (OMC) criou, nesta quarta-feira (20/7), painéis para investigar possíveis subsídios ilegais concedidos pela União Européia à fabricante de aviões Airbus e pelos Estados Unidos à Boeing. Ambas companhia são grandes rivais no mercado mundial de aviação (se você é assinante, leia reportagem de EXAME sobre a guerra desencadeada pelo lançamento do A-380, o novo modelo da Airbus).

A OMC decidiu investigar depois que americanos e europeus reapresentaram denúncias contra o concorrente. De acordo com o americano The Wall Street Journal, este pode se tornar o caso mais custoso para os envolvidos nos dez anos de história da OMC.

No centro da disputa, estão os bilhões de dólares e euros que os rivais despejaram na indústria aeronáutica em ajudas diretas ou indiretas. Os Estados Unidos acusam os europeus de criar condições desleais de concorrência por meio dos empréstimos concedidos à Airbus. A União Européia defende-se dizendo que, como a Airbus pagou todos os empréstimos concedidos, o dinheiro não pode ser chamado de subsídio.

Os americanos são acusados pela União Européia de beneficiar a Boeing por meio da transferência de conhecimentos gerados por pesquisas militares, além de subsídios indiretos aos fabricantes de componentes das aeronaves. O comissário europeu para o Comércio, Peter Mandelson, também acusa o Japão de subsidiar empresas instaladas no país e que fabricam as asas dos aviões da Boeing.

Em maio, Washington protocolou uma queixa na OMC contra os planos europeus de financiar o desenvolvimento do Airbus A-350, uma aeronave de médio porte, capaz de competir com o Boeing 787 Dreamliner. Em represália, a União Européia apresentou uma queixa contra os Estados Unidos, alegando que o país continua concedendo maciços subsídios à fabricante americana de aviões. Dada a complexidade do assunto, não se espera um desfecho rápido para o caso. Mandelson tem dito que a disputa levará “anos para ser resolvida”.