Discussão sobre aborto ganha novo capítulo às vésperas das eleições

Monica Serra admitiu para ex-alunas de balé ter feito aborto em 1992

São Paulo – A polêmica discussão sobre o aborto segue em evidência nas eleições brasileiras, e a troca de acusações entre os candidatos Dilma Rousseff e José Serra ganhou novo capítulo neste sábado.

Segundo o jornal “Folha de São Paulo”, a psicóloga e ex-dançarina chilena Monica Serra, esposa do candidato do PSDB, admitiu em 1992 a suas então alunas de balé na Universidade de Campinas ter praticado um aborto na época em que o casal era perseguido pelas ditaduras do Brasil e do Chile.

A afirmação de duas ex-alunas de Monica causou muita polêmica, depois que a esposa de Serra, em um comício no Rio de Janeiro, em setembro, afirmou que Dilma “comia criancinhas”, por supostamente pretender legalizar o aborto no Brasil caso eleita.

A dançarina brasileira Sheila Ribeiro, de 37 anos, esposa do antropólogo italiano Mássimo Canevacci, e outra ex-aluna de Monica, que preferiu não se identificar, confirmaram ao jornal o rumor que já circulava pela internet.

“Quero deixar minha indignação pelo posicionamento escorregadio de José Serra. Monica Serra já fez um aborto. Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o seu aborto traumático. Ela não confessou. Ela contou”, disse Sheila.

Dilma reiterou na sexta-feira que é contra o aborto, e se comprometeu a não flexibilizar a legislação atual caso vença o segundo turno, no próximo dia 31. As leis do país proíbem o aborto, exceto em caso de estuprou ou de risco à vida da mãe.

Nos dias que antecederam o primeiro turno das eleições, realizado em 3 de outubro, parte da imprensa divulgou declarações de Dilma em 2007, quando a candidata do PT dava a entender que era favorável a uma flexibilização da lei do aborto, um fator que, segundo analistas políticos, pode ter feito com que ela perdesse votos.