Diplomatas líbios denunciam desvio de verbas

Os diplomatas, que se declaram ''unidos desde o princípio à revolução'', criticaram a situação na Líbia

Cairo – Dezenas de embaixadores líbios denunciaram nesta quinta-feira ”a luta interna pelo poder e o acerto de contas” que se vive na Líbia com um comunicado divulgado na sede da Liga Árabe, no Cairo.

Os diplomatas, que se declaram ”unidos desde o princípio à revolução”, criticaram em sua nota que a situação na Líbia não corresponde às aspirações da rebelião que eclodiu contra o falecido líder Muammar Kadafi em fevereiro de 2011.

”Há uma luta interna pelo poder, um acerto de contas e um claro desvio de verbas públicas com decisões que servem a interesses particulares”, assinalaram.

Os signatários do texto, entre os quais figura o embaixador no Cairo e delegado ante a Liga Árabe, Abdel Monem al-Howni, e o ex-chanceler Abdel-Rahman Shalqam, lamentaram que ”a revolução se desviou de seus rumos”.

Em sua opinião, o Conselho Nacional Transitório da Líbia (CNT) e o governo interino deveriam se concentrar em ”impor a autoridade e a estabilidade em todo o território, reconstruir um Exército nacional forte e reativar a justiça”.

O objetivo é conseguir ”a reconciliação nacional”, mas estes dois órgãos de poder o que fomentaram é ”o caso, as diferenças e a exclusão”, segundo os diplomatas.

A nota pede ao povo líbio a aproveitar a oportunidade das eleições ao Conselho Geral do próximo 7 de julho para formar ”o novo Estado que siga a caminho da reconstrução e o desenvolvimento e satisfaça as aspirações de liberdade e democracia”.

Nesta quarta-feira, começou a campanha eleitoral na Líbia, mas se sucedem os episódios de violência, como os registrados na semana passada na região de Jebel Nafusa, ao sudoeste de Trípoli, onde 105 pessoas morreram e 500 ficaram feridas.