Diplomata europeu cancela viagem à Ucrânia após não de Kiev

Objetivo da viagem era tentar convencer as autoridades ucranianas para que resolvessem o caso da ex-primeira- ministra e líder de oposição Yulia Tymoshenko

Bruxelas – O comissário europeu de Política de Vizinhança, Stefan Füle, cancelou nesta quinta-feira a viagem que tinha agendada para a Ucrânia devido à decisão do governo de Kiev de suspender a assinatura do Acordo de Associação negociado com o bloco para, em troca, reforçar suas relações com a Rússia.

Füle publicou o cancelamento da viagem em sua conta no Twitter, visita que tinha sido anunciada nesta manhã por seu porta-voz.

O objetivo da viagem era tentar convencer as autoridades ucranianas para que resolvessem o caso da ex-primeira- ministra e líder de oposição Yulia Tymoshenko, que está presa, uma condição imposta pela EU para assinar o acordo de Associação e livre- comércio na semana que vem.

No entanto, Kiev anunciou hoje a suspensão das negociações com a Europa, a uma semana da cúpula da Associação Oriental, que acontecerá dias 28 e 29 de novembro em Vilnius, onde se esperava carimbar o pacto.

Füle explicou em sua mensagem que falou com vários líderes pró europeus da oposição sobre a “nova situação” e assegurou que a UE está preparando um comunicado de reação.

“A Ucrânia suspendeu as negociações para a assinatura de um Acordo de Associação com a UE até que a queda da produção industrial e de nossas relações com os países da CEI (Comunidade dos Estados Independentes) se vejam compensadas pelo mercado europeu”, anunciou hoje Yuri Boiko, vice-primeiro-ministro ucraniano.

Kiev argumentou sua decisão com a necessidade de desenvolver as relações econômicas com a Rússia e a CEI, integrada por todas as antigas repúblicas soviéticas, menos as três bálticas e a Geórgia.

A decisão da Ucrânia representa um duro golpe para a estratégia europeia na Europa do Leste, onde há anos tentan estender sua influência contra o tradicional controle exercido por Moscou.

A assinatura do Acordo de Associação e livre-comércio com a Ucrânia era o principal avanço que se esperava da próxima cúpula da Associação Oriental, o fórum que reúne à UE e seis ex-repúblicas soviéticas.