Desequilíbrio salarial na China é o maior da história do país

Dados mostram abismo entre os ganhos dos trabalhadores de zonas urbanas e rurais

Pequim – A diferença entre os salários na China atingiu um desequilíbrio recorde, de acordo com um relatório ministerial publicado nesta sexta-feira e que expõe as desigualdades não só entre setores, mas entre províncias rurais e urbanas.

“O espaço (entre os salários) está crescendo rápido demais”, disse Yan Liming, subdiretor da agência de pesquisa do Ministério de Recursos Humanos e Seguridade Social, ao jornal “Diário do Povo”.

A média salarial anual no setor de finanças chegou a US$ 10.430, frente ao setor agrícola, que tem salários de US$ 2.630 ao ano.

As desigualdades se acentuam também entre as províncias, regiões e municípios, pois em Xangai, a capital financeira chinesa, as rendas anuais de um funcionário de banco atingiram US$ 56 mil em 2010, dez vezes mais que o valor médio recebido por operários na China. Além disso, a média anual da renda familiar nas zonas rurais foi de US$ 932 em 2010, frente a US$ 3 mil nas zonas urbanas.

Os diretores das companhias que vendem ações na bolsa ganharam cerca de US$ 105 mil ao ano, 18 vezes mais que o salário médio anual na China, de US$ 5,8 mil dólares.

A China ultrapassou neste ano o Japão como segunda potência econômica mundial, e está agora apenas atrás dos Estados Unidos, mas seu PIB per capita é o 91º, similar aos de El Salvador e Namíbia, segundo dados do Banco Mundial.