Desaparecimentos na Síria são crimes contra a Humanidade

No último ano, alguns grupos da oposição armada aumentaram número de sequestros para trocar por prisioneiros ou para obter resgates, destaca a Comissão

Genebra – O governo sírio realiza uma campanha de desaparecimentos forçados que constitui um crime contra a Humanidade, afirma um relatório da comissão internacional de investigação das Nações Unidas para a Síria, publicado nesta quinta-feira em Genebra.

“Há razões para pensar que os desaparecimentos forçados cometidos pelas forças governamentais como parte de um vasto e sistemático ataque à população civil constituem um crime contra a humanidade”, afirma o texto.

No documento de dez páginas, a comissão de investigação, presidida pelo jurista brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, acusa as autoridades de Damasco de serem responsáveis por desaparecimentos forçados desde o início dos distúrbios, em 2011.

Esta campanha de intimidação foi utilizada, segundo o texto, como uma tática de guerra.

“Civis, em sua maioria homens adultos, foram sequestrados pelas forças armadas e de segurança sírias, assim como por milícias pró-governamentais em prisões em massa, buscas domiciliares, em postos de controle e hospitais”, afirma o relatório desta comissão de investigação criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU.

“Os sequestros costumavam ser de natureza punitiva e eram dirigidos contra os familiares de desertores, ativistas, combatentes e pessoas que prestavam atendimento médico aos opositores”, acrescenta o relatório.

As autoridades negam-se a fornecer informações sobre os desaparecidos e em alguns casos inclusive detiveram familiares que se dirigiram aos serviços de segurança para tentar obter notícias, acrescenta o documento.

No último ano, alguns grupos da oposição armada aumentaram o número de sequestros para trocar por prisioneiros ou para obter resgates, destaca a Comissão.

Segundo ela, nestes casos não é possível falar de desaparecimentos forçados porque a situação das vítimas não é ocultada das famílias.

No entanto, nos últimos meses alguns grupos utilizaram práticas comparáveis às dos desaparecimentos forçados, violando o direito internacional, considera o relatório.