Desaparecimento de editores de Hong Kong é denunciado

Segundo um dos colaboradores da empresa, os quatro desaparecidos podem ter sido presos na China

Hong Kong – Quatro responsáveis de uma livraria e editora de Hong Kong que publica livros críticos ao Partido Comunista chinês estão desaparecidos e podem ter sido detidos pelas autoridades chinesas, segundo informa “Rádio Free Ásia” (Alemanha).

Os quatro desaparecidos são o proprietário, Gui Minhai; o gerente geral Lu Bo; o responsável da livraria, Lin Rongji; e um empregado, Zhang Zhiping, todos eles da editora e livraria Sage Communications, com sede em Hong Kong, diz a Alemanha “RFA” em sua página de internet.

Gui Minhai, que tem um passaporte sueco, desapareceu em meados de outubro, após uma viagem à Tailândia, enquanto não se sabe nada de Lu e Zhang, depois que entre 22 e 24 de outubro ambos viajaram à China para visitar seus familiares.

Segundo um dos colaboradores da empresa, os quatro desaparecidos podem ter sido presos na China.

Um empregado da Sage disse à RFA que Gui e Lin chamaram suas esposas na sexta-feira para dizer que estavam bem, sem dar mais informação sobre seu paradeiro e nem o que estavam fazendo.

“Disseram que estavam bem, mas não estão”, explicou, e acrescentou que “disseram que iam voltar um pouco mais tarde do que o esperado e pediram que não se preocupassem.”

Sage é especializada na publicação de livros sobre a atualidade política na China, entre eles “A grande depressão de 2017”, e “O colapso de Xi Jinping em 2017”, especialmente críticos à administração do presidente Xi.

Segundo a fonte anônima à qual faz referência a RFA, as primeiras suspeitas sobre o desaparecimento de Gui e seus colaboradores surgiram quando o responsável da Sage não entrou em contato com uma das empresas para tratar um próximo livro.

A condição de Hong Kong como Região Administrativa Especial da China outorga à cidade certo grau de autonomia que não é desfrutada na parte continental.

Além disso, sobre o papel, a ex-colônia britânica goza de direitos castigados na China como são os da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa.

No entanto, nos últimos anos, são cada vez mais as vozes críticas que denunciam as interferências do governo chinês sobre o exercício destas liberdades em Hong Kong.