Depois de 11 anos e muitas pressões, China abandona câmbio fixo

A China decidiu nesta quinta-feira (21/7) permitir a flutuação de sua moeda, o yuan, vinculando-a a uma cesta de moedas, em vez de persistir na paridade fixa com o dólar (há meses, alvo de pressões dos Estados Unidos). Para a revista britânica The Economist, a medida pode baixar as tensões comerciais com os americanos, pelo menos por enquanto.

A vinculação do yuan ao dólar já durava 11 anos, com paridade fixa de 8,28 yuans para cada dólar. A partir de agora, o valor da moeda chinesa será definido diariamente em relação a uma cesta de moedas. Mas a ligeira correção cambial já obtida com o novo regime está muito aquém do desejo dos Estados Unidos e de outros parceiros, como os europeus. Houve uma tênue valorização de 2,1% (agora, cada dólar compra 8,11 yuans).

Segundo a reportagem, até o momento não está claro como o novo sistema vai, afinal, funcionar. O “regime de flutuação administrada de taxa cambial” pode implicar muito mais em administração do que em flutuação.

De qualquer modo, só o fato de que a China tenha tomado uma iniciativa já é importante. Mas os eventuais efeitos políticos e econômicos da revalorização vão depender de até que ponto e com qual velocidade o yuan vai se mover a partir de agora.

O que está evidente é que os esforços para moderar o crescimento chinês causaram um efeito colateral indesejado: um superávit comercial explosivo. A curva de expansão das importações foi suavizada, mas as exportações continuaram robustas. Como resultado, o superávit no primeiro semestre de 40 bilhões de dólares já supera o saldo de todo o ano passado.

No final das contas, trata-se de verificar se a apreciação cambial vai conseguir fechar, ou ao menos diminuir esse fosso. E, com isso, neutralizar o foco de tensão com os americanos. “Mas, se a economia doméstica chinesa desacelerar e assim tornar-se menos sustentadora do crescimento global, as pressões protecionistas e por apreciação cambial mais forte, vão retornar em breve”, afirma a Economist.