Demitidos por Macri servem nhoque em protesto

Manifestantes contrários à demissão de 20 mil funcionários públicos pelo governo de Mauricio Macri serviram nhoque de graça em protesto diante do Congresso

Buenos Aires – Manifestantes contrários à demissão de 20 mil funcionários públicos pelo governo de Mauricio Macri serviram nhoque de graça em protesto nesta sexta-feira, 29, diante do Congresso argentino. O nome da massa é também o apelido dado na Argentina a quem recebe sem trabalhar, normalmente por indicação política.

Entre os exemplos mais expressivos identificados pelo novo governo estão um presidiário e um aposentado que ganhava o equivalente a R$ 30 mil, supostamente para dividir com o kirchnerismo. A ordem é rever as contratações feitas no último semestre de 2015, período de campanha presidencial em que Cristina Kirchner acelerou as contratações.

Na leva de demitidos há casos de má avaliação, reconhecidos ou não pelo macrismo. “Fui para a rua e logo readmitido porque perceberam que tenho deficiência física. Entrei na lista sem que checassem nada”, disse José María Costantini, funcionário do Senado. Vítima de pólio na infância, ele foi de muletas ao protesto e levou um cartaz com a inscrição “Presi, nhoques se comem, funcionários cumprem suas tarefas”.

Nas redes sociais, neodesempregados, kirchneristas e independentes solidários à causa de injustiçados como Costantini organizaram “nhocaços” diante do Congresso e do Centro Cultural Néstor Kirchner, lugares atingidos pela “faxina” macrista. O dia foi batizado como “29Ñ”, em alusão a “ñoqui”, a palavra em espanhol para a iguaria. A ação abusou de trocadilhos – “A massa é poder” era um deles.

Diante do Parlamento, o prato era feito ao ar livre por dois cozinheiros em um fogão a gás. O nhoque era distribuído com molho pesto por voluntários que pediam a devolução dos potes e talheres de plástico, reaproveitados. A aglomeração não chegou a bloquear ruas e transcorreu pacificamente.

De manhã, foram demitidos 50 empregados da Casa Rosada e 500 do Ministério da Cultura. Boa parte descobriu quando o crachá deixou de funcionar na entrada dos prédios. A oposição cobra a readmissão ou a convocação de concurso público, para que não haja risco de influência política na reposição.