Déficit corrente dos Estados Unidos cresce para US$ 164,7 bilhões

Perda de valor do dólar reflete em parte o receio dos investidores com os crescentes déficits americanos

O déficit corrente dos Estados Unidos pulou para um recorde de 164,7 bilhões de dólares no terceiro trimestre deste ano. Segundo o americano The Wall Street Journal desta quinta-feira (16/12), esse resultado reflete a forte demanda do mercado americano por bens estrangeiros e petróleo importado. O Departamento de Comércio informou que o déficit corrente cresceu 0,2% de julho a setembro, de 164,4 bilhões no final do segundo trimestre para 164,7 bilhões. De qualquer modo, nota o jornal, o resultado é melhor do que a expectativa do mercado, de 170,6 bilhões de dólares.

O déficit na conta corrente é a melhor medida da posição internacional de um país, diz The Wall Street Journal. O indicador mostra não apenas bens e serviços, mas também os fluxos de investimento entre países além das transferências unilaterais.

O perigo, já observado por Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve (Fed), é que o inchaço no déficit corrente possa azedar o apetite estrangeiro por papéis do tesouro americano. Isso, aliás, já pode estar acontecendo. O Japão, por exemplo, detinha em outubro 715,2 bilhões de dólares em títulos, ante 720,3 bilhões em setembro.

A perda de valor do dólar, diz o jornal, também reflete em parte o receio dos investidores com os crescentes déficits americanos. O presidente Bush declarou na quarta-feira que vai trabalhar com o Congresso para reduzir o déficit fiscal, assegurando aos mercados financeiros internacionais que sua administração apóia um dólar forte. “O compromisso de Bush, porém, não parece ter muito peso com os agentes. O dólar despencou novamente frente o euro e o yen”, diz a reportagem.