Déficit comercial dos Estados Unidos bate recorde em 2004

Apesar da desaceleração registrada em dezembro, o prejuízo com o comércio exterior fechou o ano em US$ 617,73 bilhões

Mesmo mantendo sua moeda desvalorizada há três anos, os Estados Unidos encerraram 2004 com um rombo recorde de 617,3 bilhões de dólares em sua balança comercial. Se, por um lado, o câmbio aumentou a competitividade das exportações americanas, também encareceu as importações. Com os preços do petróleo batendo recordes de cotação e o aumento do consumo de bens importados, o déficit dos Estados Unidos cresceu 24,4% sobre 2003.

Somente com a China, o saldo negativo atingiu 161,98 bilhões de dólares. De acordo com o americano The Wall Street Journal, a cifra é maior que o déficit dos Estados Unidos com a União Européia, que fechou o ano em 114,08 bilhões. Com o Canadá e o México, seus parceiros na Área de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), o déficit atingiu 110,83 bilhões.

A boa notícia é que o déficit comercial desacelerou em dezembro, favorecido pela queda do preço internacional do petróleo. De acordo com o Departamento de Comércio americano, a balança comercial ficou negativa em 56,40 bilhões de dólares no último mês do ano, contra 58,33 bilhões em novembro. O montante também é ligeiramente menor que os 57 bilhões de dólares projetados pelo mercado para o período.

No mês retrasado, o preço médio do barril de petróleo caiu 4,52 dólares, para 36,63 dólares. Com isso, os americanos gastaram 11,76 bilhões de dólares em importações de óleo cru, contra 13,43 bilhões em novembro.

No total, as importações alcançaram 156,57 bilhões de dólares em dezembro, uma alta de 0,9% sobre o mês anterior. Já as exportações avançaram 3,2%, para 110,17 bilhões de dólares. As vendas de bens de capital, como equipamentos para telecomunicações e máquinas industriais, somaram 1,57 bilhão.