Déficit comercial americano é o segundo maior da história

Em agosto, a balança comercial dos Estados Unidos registrou saldo negativo de 54,04 bilhões de dólares, contra os 50,55 bilhões de julho. No último debate antes das eleições, os candidatos à presidência dos EUA trocaram críticas sobre as relações comercia

Os Estados Unidos encerraram agosto com o segundo maior déficit comercial da história, pressionados pelas sucessivas altas do petróleo e pelo aprofundamento das perdas na relação comercial com a China. Segundo o Departamento de Comércio americano, a balança comercial registrou déficit de 54,04 bilhões de dólares no mês retrasado, sendo que, em julho, havia sido de 50,55 bilhões.

O maior déficit americano em transações comerciais ocorreu em junho deste ano, quando as importações superaram as exportações em 55,02 bilhões de dólares. O resultado de agosto foi pior do que estimava o mercado. Segundo uma pesquisa da Dow Jones Newswires e da CNBC junto a economistas americanos, esperava-se que as perdas seriam de 52 bilhões no mês retrasado. No Brasil, o Departamento de Economia do Bradesco projetava um déficit de 51,5 bilhões.

Mesmo sem a divulgação dos números de agosto, que só ocorreu nesta quinta-feira (14/10), os sucessivos déficits da balança comercial alimentaram o debate entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos na noite de ontem. O democrata John Kerry acusou o presidente George W. Bush, que tenta se reeleger, de falhar nas tentativas de pressionar a China a revalorizar sua moeda. Com o yuan desvalorizado em cerca de 40% em relação ao dólar, Kerry afirmou que os produtos chineses estão mais competitivos que os americanos dentro de seu próprio país. Kerry também acusou Bush de ser malsucedido na conclusão de outros acordos de livre comércio, segundo o americano The Wall Street Journal.

O aprofundamento do déficit com a China tem despertado pressões sobre o governo Bush. O setor têxtil americano, por exemplo, já se articulou para forçar Bush a adotar medidas contra as importações de similares chineses mesmo antes do resultado das eleições de 2 de novembro. O movimento defende o estabelecimento de cotas de importação para produtos de algodão, moda íntima e camisetas, entre outros. Conforme as associações envolvidas, caso nada seja feito, cerca de 650 mil empregos da indústria têxtil americana podem desaparecer.

Desempenho

Segundo o Departamento de Comércio, em agosto, o déficit dos Estados Unidos com a China foi o maior da história 15,39 bilhões de dólares, fruto de importações recordes de 18,1 bilhões. O país também acumula perdas com outros parceiros, como o Japão (6,44 bilhões em agosto), Canadá (6,64 bilhões) e México (3,73 bilhões).

No mês retrasado, as exportações cresceram apenas 0,1%, para 96,03 bilhões de dólares. Os bens de consumo tiveram um incremento nas vendas externas de 339 milhões, e os bens de capital avançaram 49 milhões. Já as vendas de insumos industriais caíram 373 milhões.

As importações, em contrapartida, subiram 2,5% e atingiram 150,07 bilhões de dólares em agosto. A importação de insumos para indústria, como petróleo e combustíveis, aço e produtos químicos, subiu 2,4 bilhões de dólares. As compras de bens de capital recuaram 149 milhões. Durante a campanha para a reeleição, o presidente Bush tem afirmado que o aumento das importações é positivo, porque reflete o crescimento da economia americana.