Defesa quer julgamento do 11/9 televisionado globalmente

O tema foi discutido no último dia de uma semana de audiências prévias ao julgamento contra o suposto mentor dos ataques com aviões sequestrados

Baía de Guantanamo – O julgamento de cinco prisioneiros de Guantánamo acusados de planejar os ataques do 11 de setembro de 2001 contra os Estados Unidos é tão importante que deveria ser televisionado ao público, disseram seus advogados nesta sexta-feira.

O tema foi discutido no último dia de uma semana de audiências prévias ao julgamento contra o suposto mentor dos ataques com aviões sequestrados, Khalid Sheikh Mohammed, e de outros quatro acusados de fornecer dinheiro, treinamento e ajuda para a operação.

Os cinco, que poderão enfrentar pena de morte se considerados culpados das acusações que incluem assassinato e terrorismo, não estavam presentes na sessão desta sexta-feira, depois que o juiz rejeitou um pedido de recesso no dia sagrado muçulmano.

Atualmente, o público pode assistir às transmissões do circuito fechado do tribunal de guerra de Guantánamo em uma sala com 200 lugares em Fort Meade, uma base do Exército, em Maryland, nos Estados Unidos.

Em outros lugares militares no país, as transmissões são limitadas a familiares das 2.976 pessoas que morreram, além de bombeiros, policiais e pessoal de auxílio que chegou ao local dos atentados.


Na Base Naval dos Estados Unidos na Baía de Guantánamo, em Cuba, advogados de alguns dos acusados argumentaram que todos os lugares deveriam estar abertos ao público em geral. Mas advogados de outros acusados afirmaram que o julgamento deveria ser televisionado globalmente para quem quiser vê-lo.

“Se o julgamento é justo, por que o governo tem medo de que o mundo veja?”, perguntou o major William Hennessy, advogado de Walid Bin Attash, um iemenita acusado de treinar dois dos sequestradores em um acampamento da Al Qaeda no Afeganistão.

“O governo admite que esses julgamentos são históricos”, afirmou.

O juiz, o coronel do Exército James Pohl, não decidiu de imediato sobre o pedido, mas se mostrou cético.

A promotoria afirmou que o direito constitucional do público para um julgamento aberto estava coberto com a transmissão em Fort Meade e que ninguém que manifestou vontade de assistir aos procedimentos foi impedido de fazê-lo.

Oficiais em Fort Mead disseram em audiências prévias que apenas algumas dezenas de pessoas se apresentaram para ver o julgamento e que a maioria era de jornalistas ou advogados ligados a outros casos de Guantánamo.

Um porta-voz do Pentágono declarou que apesar de o secretário de Defesa, Leon Panetta, ter autoridade para autorizar a transmissão, ninguém havia pedido formalmente a ele que fizesse.