Debate é a chance final de Macri na eleição argentina

Há duas semanas da votação, presidente do país vizinho está 20 pontos percentuais atrás do adversário da oposição, Alberto Fernández

A duas semanas das eleições gerais argentinas, o presidente Mauricio Macri vai parar sua peregrinação para angariar votos pelo país para participar do primeiro de dois debates televisivos. O debate acontece este domingo 13, às 21 horas, na Universidade do Litoral, em Santa Fé. O segundo será no dia 20, na Universidade de Buenos Aires.

A lei argentina obriga todos os candidatos que tiveram mais de 1,5% dos votos nas eleições primárias de agosto a participar do debate. Além de Macri, estarão presentes Alberto Fernández, da chapa Frente de Todos; Roberto Lavagna, da frente Consenso Federal; Nicolás del Caño, do partido FIT-Unidad; Juan José Gómez Centurión, do NOS; e José Luis Espert, do Despertar.

Os olhos de todos estarão sobre Macri e Fernández, que segue líder nas pesquisas de intenção de voto. O candidato, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, continua ampliando as vantagens que obteve nas primárias, quando ficou 16,56 pontos percentuais à frente de Macri, ainda que os investidores não tenham reagido bem diante da possibilidade de uma chapa kirchnerista voltar ao poder. No dia seguinte ao resultado, o peso argentino chegou a atingir a mínima recorde de 65 por dólar e principal índice acionário do país, o Merval, fechou em baixa de 30%.

Segundo novas pesquisas feitas pelas empresas Clivajes e CB Consultora de Opinión Pública, publicadas pelo jornal argentino Clarín na última quarta-feira 9, o candidato de oposição tem uma vantagem em relação ao presidente superior a 20 pontos percentuais. As sondagens foram feitas depois do lançamento da marcha “Sí se puede”, o que indica que a aposta final de Macri está falhando junto ao eleitorado.

Desde o final de setembro, o presidente vem colocando todos os seus esforços de campanha em uma peregrinação nacional para tentar recuperar votos e garantir, pelo menos, um segundo turno. Até a eleição, Macri irá percorrer 30 cidades do país, em movimento batizado em homenagem ao slogan Yes We Can que levou Barack Obama à Casa Branca.

Durante os atos, Macri tem feito promessas que aliviariam o peso da crise econômica sobre a classe média e os assalariados, em uma tentativa de provar que ouviu o eleitorado depois da derrota nas primárias. Na última segunda-feira, em Tucumán, o presidente pediu tempo para resolver os problemas do país, assim como “foi necessário para o time do Boca Juniors e para a cidade de Buenos Aires”. Macri prometeu ainda que iria fomentar os biocombustíveis no país entre 2021 e 2023, para garantir empregos.

Enquanto isso, Fernández tem estado mais discreto na reta final da campanha. Por enquanto, ele só marcou um comício para o dia 17. Na última segunda-feira, ele apresentou um plano contra a fome na Argentina, problema que foi agravado pela crise econômica do país. Sua proposta é fazer um “acordo social” para que a comida seja barata e acessível, com políticas que assegurem a “soberania e segurança alimentar”, agrupando empresas, organizações sociais, religiosas, universidades e meios de comunicação.

Com a ampla vantagem de Fernández nas pesquisas, há grande expectativa sobre o desempenho de Macri nos debates. A desvantagem pode diminuir, mas também pode aumentar ainda mais.