De volta ao velho Trump?

Donald Trump encerra hoje em Des Moines, Iowa, mais uma empreitada publicitária: uma “turnê de agradecimento”, evento que promoveu na última semana para agradecer aos estados que o ajudaram na vitória. Enquanto isso, analistas continuam tentando decifrar que Trump, afinal, assumirá os Estados Unidos.

No primeiro momento, o presidente eleito pareceu uma versão light do candidato explosivo. Mostrou-se propenso a dialogar com os líderes da Otan, organização que detém 70% de todos os gastos militares do mundo, encontrou o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, afirmou que não perseguiria Hillary Clinton pelo escândalo dos e-mails e até aceitou, a pedido da filha, Ivanka Trump, se reunir com o ex-vice-presidente Al Gore e discutir aquecimento global.

Mas, pouco a pouco, Trump tem voltado ao tom da campanha. Na terça-feira 6, ele usou sua conta no Twitter para anunciar que cortaria o contrato com a fabricante de aviões Boeing, a quem acusa de estar inflando os preços na fabricação do Air Force One, o avião oficial da presidência. Levaram 10 segundos para as ações reagirem e começarem a cair — a empresa tem contratos com o governo americano no valor de 26 bilhões de dólares, 27% das vendas anuais. Ele também aproveitou uma visita ao estado de Ohio para bater no governador republicano John Kasich, seu antigo oponente nas primárias, que se recusou a apoiá-lo. Indicou radicais para cargos chave, como o general James “Mad Dog” Mattis para secretário de Defesa.

Nos últimos dias, Trump aproveitou a nostalgia da estrada para reiterar que irá, sim, construir o muro, acabar com o sistema de saúde conhecido como Obamacare e endurecer a entrada para muçulmanos nos Estados Unidos. Ele inclusive só visitou estados em que ganhou, o que levou os americanos a se questionar o quão empenhado Trump realmente está em unir a nação. Faltam 45 dias para essa enorme incógnita, escolhida ontem como Personalidade do Ano pela revista Time, assumir o cargo mais importante do planeta.