De olho na economia, encontro anual do PCC discute futuro da China

Líderes do Partido Comunista chinês se reúnem em Pequim para encontrar respostas a um crescimento menor da economia

Vivenciando um período de queda na projeção do crescimento econômico e um entrave comercial com os Estados Unidos, a liderança chinesa está reunida em Pequim até o final de semana para uma das mais tensas edições do Congresso Anual do Partido Comunista. O evento, que todo ano reúne cerca de 3 mil autoridades do governo no Congresso Nacional do povo chinês, traz, este ano, um novo elemento: a previsão para o crescimento do PIB, em 2019, é a menor desde 1990, entre 6% e 6,5%.

A perspectiva de reiteradas reduções no ritmo de crescimento fez com que, logo na abertura da conferência, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang anunciasse que 2019 será um ano de “dificuldades severas” para o país. O presidente Xi Jinping declarou que “desafios previsíveis e imprevisíveis” estão no horizonte da principal potência asiática, e é exatamente isso que deverá ser discutido nos próximos dias.

Segundo o primeiro-ministro, um dos principais motivos que colocaram freio no crescimento econômico chinês foi a recente intensificação da guerra comercial com os Estados Unidos. “A conjuntura nacional e internacional tem afetado nosso desenvolvimento em um ambiente de grande dureza e complexidade”, disse Keqiang ao se referir às inúmeras sanções impostas ao seu país por parte dos norte-americanos.

Mesmo agora, sob um cenário de política internacional mais ameno, onde os acordos firmados com os EUA passam a dar a impressão de que o fim do embate comercial está próximo, a China já anunciou medidas para restabelecer e aquecer novamente sua economia.

Na terça-feira, o governo já anunciou medidas para cessar a queda do PIB. Dentre os principais pontos estão a redução de impostos a setores industriais e também a remodelação sobre os investimentos estrangeiros que são feitos no país.

Mas uma nova frente de crescimento e otimismo, dizem especialistas na economia chinesa, só virá com o reconhecimento, pelo partido, de que o estado policial que ganha cada vez mais corpo no país está prejudicando a economia. “Esse não é um governo que respeite a lei. Tudo pode mudar de repente”, disse em reportagem do jornal New York Times Minxin Pei professor do Claremont McKenna College, na Califórnia, e colunista de EXAME.

No Congresso de 2018, Xi Jinping concentrou ainda mais poderes. No de 2019, essa concentração pode estar virando o cerne dos problemas chineses.