Cruz Vermelha tenta evacuar civis sírios da cidade de Homs

Em todo o país, os atos de violência deixaram 58 mortos (29 soldados, 23 civis e seis insurgentes), segundo fontes opositoras

Damasco – A Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho Árabe estavam prontos nesta quarta-feira para evacuar os civis sírios de Homs (centro), depois de terem sido autorizados pelo regime e pelos rebeldes, no mesmo dia em que os insurgentes provocaram muitas baixas no exército regular na Síria.

Em todo o país, os atos de violência deixaram 58 mortos (29 soldados, 23 civis e seis insurgentes), segundo fontes opositoras.

No plano diplomático, num momento em que a União Europeia prepara uma nova rodada de sanções contra a Síria, os Estados Unidos anunciaram que a secretária de Estado, Hillary Clinton, se reunirá na próxima semana com o chanceler russo, Serguei Lavrov, em São Petersburgo, para falar da situação na Síria.

“O CICV e o Crescente Vermelho árabe sírio estão dispostos a entrar na cidade velha de Homs e nos bairros de Al-Qarabees, Al-Qusur, Jurat al-Shayah e al-Jalidiya”, afirma o CICV em um comunicado.

“O CICV e o Crescente Vermelho árabe sírio tentam evacuar e ajudar de outra forma pessoas bloqueadas em vários bairros da cidade de Homs devido aos combates”, afirmou a organização humanitária.

As tropas do regime de Bashar al-Assad bombardeiam há vários dias as localidades defendidas pelos rebeldes, sobretudo em Homs (centro), para retomar seu controle.


No dia 19 junho, o CICV solicitou às partes que respeitassem uma “pausa temporária”, indicou.

“As autoridades aceitaram oficialmente nosso pedido e os grupos opositores nos deram garantias de que iam respeitar a pausa”, indicou a organização sediada em Genebra.

Segundo o CICV, centenas de civis estão presos na cidade velha de Homs e não podem fugir dos combates nem encontrar um refúgio.

“Nossa primeira prioridade (…) é evacuar os doentes e feridos para zonas mais seguras, onde possam ser atendidos”, declarou a responsável de operações no Oriente Médio, Béatrice Mégevand-Roggo.

“Queremos seguir evacuando os civis que não tiverem conseguido escapar da zona do conflito”, acrescentou.

Em todo o país, os violentos combates entre forças regulares e rebeldes provocaram nesta quarta-feira a morte de pelo menos 58 pessoas em várias localidades da Síria, entre elas 29 soldados.

“Pelo menos 29 soldados foram mortos em combates na região de Hama e de Latakia”, no norte do país, e na explosão de um automóvel carregado com bombas em frente a um quartel militar na estrada de Idleb a Sarmin, segundo o opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), com sede na Grã-Bretanha.

O exército sofre atualmente ao menos 10 baixas diárias nos combates com os rebeldes, que se multiplicaram nos últimos meses.

Por sua vez, um funcionário de alto escalão havia confirmado na terça-feira que os observadores da ONU ficarão na Síria, apesar do aumento das hostilidades que levaram à suspensão da missão no país, onde milhares de cidadãos estão presos em cidades atacadas pelo exército sírio.