Cronologia das crises mais graves desde 1929

Confira o histórico das complicações econômicas que o mundo viveu desde a Grande Depressão de 1929

Washington – Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, países mais ricos e principais emergentes) se reúnem em Toronto este fim de semana, na busca por coordenar políticas de sustentação da recuperação mundial e visando responder à ansiedade do mercado pela crise da dívida na Europa.

Abaixo, a relação das crises econômicas mais graves desde a Grande Depressão e as medidas tomadas para combatê-las:.

 

  • 1929: “O Crack de 29”. A crise econômica mundial da década de 1930 foi precipitada pela queda dos preços no mercado agrícola nos EUA em 1928. Eclodiu em 29 de outubro de 1929 quando, após três meses de quedas consecutivas da produção e dos preços, foram vendidas de forma desesperada 16 milhões de ações, o que afundou a Bolsa de Nova York. Depois do desastre de 1929, foi modificada a legislação básica da bolsa. Uma das leis fundamentais adotadas foi a “Securities Exchange Act” (1934), que acabou por criar a Comissão de Valores Mobiliários (SEC), órgão encarregado de supervisionar os mercados no país. Entre os objetivos da SEC estão facilitar informações ao público sobre os papéis e as empresas a serem contratados e garantir que abusos não sejam cometidos no pregão.

 

  • 1971: “O fim do sistema padrão-ouro”. Os gastos excessivos dos EUA no exterior e a Guerra do Vietnã fizeram com que as reservas de ouro do país se reduzissem drasticamente. Com isso, o valor da moeda deixou de estar respaldada pelo metal. Por isso, e em meio a fortes especulações e fugas de capitais dos EUA, o então presidente Richard Nixon decidiu suspender a convertibilidade com o ouro e desvalorizou a moeda em 10%, algo que fez sem consultar os outros membros do Sistema Monetário Internacional. Dois anos depois, voltou a desvalorizar a moeda, colocando fim ao padrão-ouro. Começava a época do câmbio flutuante em função da evolução dos mercados de capital internacionais.

 

  • 1973: “O embargo do petróleo no conflito árabe-israelense”. O corte de provisão dos Estados que compõem a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) na chamada primeira crise do petróleo, durante a Guerra do Yom Kippur, provocou o aumento de US$ 2,50 a US$ 11,50 na commodity em 1974. Isso elevou a fatura energética do Ocidente e gerou uma forte crise nos países mais industrializados. A partir dessa crise de preços, os países ocidentais dão início a políticas de diversificação e de economia de energia. Entre outras iniciativas de proteção, a Agência Internacional de Energia (AIE) é criada.

 

  • 1979: “A Revolução Iraniana”. A derrocada do xá Mohammad Reza Pahlevi e a instauração da República Islâmica do Irã provocaram a segunda crise do petróleo, um novo colapso internacional. Embora as economias dos países ocidentais estivessem mais preparadas, já que haviam reduzido o consumo de petróleo, a queda na oferta provocou um longo período de preços extraordinariamente altos. A crise afetou, sobretudo, os países em vias de desenvolvimento, que, junto com o aumento de preço que tinham de pagar pela commodity e a inflação, tiveram que enfrentar um ciclo de crise financeira pela elevada dívida externa.

 

  • 1980: “Iraque invade Irã”. O petróleo voltou a bater novos recordes em alta, chegando a US$ 40 o barril, valor que não tinha sido superado em dez anos. Os altos preços levaram o Ocidente a produzir mais de seu próprio petróleo em áreas como o Mar do Norte.

 

  • 1987: “A Segunda-feira Negra”. Em 19 de outubro de 1987, milhões de investidores se lançaram em massa a vender suas ações na Bolsa de Nova York devido à crença generalizada de gestão inadequada de informações confidenciais e à aquisição de empresas com dinheiro procedente de créditos. O Dow Jones caiu 508 pontos, somando 22,6% de baixa em um único pregão, superando os sucessivos recuos que provocaram a Grande Depressão e arrastando bolsas européias e asiáticas. Isso trouxe como consequência uma intensificação da coordenação monetária internacional e dos principais assuntos econômicos.

  • 1994: “A crise do peso mexicano”. Incapaz de manter a taxa de câmbio fixo em relação ao dólar, o Governo do México anunciou a desvalorização da moeda nacional. A falta de confiança na economia mexicana desencadeou uma grande saída de capital. Os créditos cessaram, a produção diminuiu e o desemprego aumentou mais de 60%. As consequências negativas sobre o resto da América Latina são batizadas de Efeito Tequila.

 

  • 1997: “A crise dos Gigantes Asiáticos”. Em julho a moeda tailandesa se desvalorizou. Logo depois caíram as de Malásia, Indonésia e Filipinas, repercutindo também em Taiwan, Hong Kong e Coreia do Sul. O efeito desses recuos arrastou as outras economias da região, convertendo-se posteriormente na primeira crise em escala global. O FMI elaborou uma série de pacotes de resgate para salvar as economias mais atingidas e promoveu várias reformas estruturais.

 

  • 1998: “A crise do rublo”. O sistema bancário da Rússia entrou em colapso, com uma suspensão parcial de pagamentos internacionais, a desvalorização da moeda e o congelamento de depósitos em divisa estrangeira. O FMI concedeu vários créditos multimilionários para evitar a queda livre do rublo e que os danos fossem irreparáveis no mercado internacional.

 

  • 2000: “A crise das pontocom”. Os excessos da nova economia deixaram um rastro de quebras, fechamentos, compras e fusões no mundo da internet e das telecomunicações, e também um grande buraco nas contas das empresas de capital de risco. Em 10 de março, o principal índice da Nasdaq, máximo expoente da nova economia e do êxito das empresas de tecnologia, fechou em 5.048,62 pontos, recorde histórico. Em apenas três anos, a crise apagou do mapa quase cinco mil companhias e algumas das maiores corporações do setor de telecomunicações, vítimas dos maiores escândalos contábeis da história. O Federal Reserve (Fed, banco central americano) respondeu com uma redução de 0,5 ponto na taxa básica de juros.

 

  • 2001: “As Torres Gêmeas”. Os atentados de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas em Nova York e o Pentágono em Washington, que deixaram um balanço de cerca de três mil mortos, provocaram também queda nas bolsas. O índice Nikkei de Tóquio caiu mais de 6%, e os pregões europeus tiveram fortes recuos que levaram os investidores a buscar refúgio no mercado do ouro e em bônus do Tesouro americano. O Fed também respondeu à crise com cortes dos juros, na campanha mais forte de sua história nesse sentido.

 

  • 2001-2002: “A crise argentina”. O Governo não possuía fundos para manter a paridade fixa do peso ante o dólar e, perante a saída de capitais, impôs restrições à retirada de depósitos bancários, uma medida conhecida como Corralito. Em dezembro de 2001, Buenos Aires suspendeu o pagamento da dívida, de quase US$ 100 bilhões. Em janeiro de 2002, o presidente Eduardo Duhalde se viu obrigado a terminar com a paridade e transformou em pesos os depósitos bancários em dólares.

  • 2008-2009: “A Grande Recessão”. Os EUA sofreram a maior crise financeira desde os anos 1930, consequência de um relaxamento na avaliação do risco. O mau momento contagiou o resto do mundo. O detonante foi a explosão de uma enorme bolha imobiliária, que revelou que os bancos tinham estendido hipotecas lixo (subprime) a pessoas sem condições de pagá-las, com a expectativa de que o preço dos imóveis seguisse subindo. As hipotecas foram transformadas em títulos e vendidas nos mercados, o que gerou centenas de bilhões de dólares de prejuízo aos investidores. O presidente George W. Bush criou um programa de resgate financeiro de US$ 700 bilhões. Ele e seu sucessor, Barack Obama, usaram o dinheiro para resgatar bancos, seguradoras e montadoras. Obama impulsionou também um plano de estímulo de US$ 787 bilhões para revitalizar a economia, com investimentos especialmente em construções e educação, ajudas aos desempregados e subsídios às energias alternativas. Ao mesmo tempo, Obama promoveu a maior reforma financeira desde os anos 1930 em nível nacional, complementada com uma iniciativa para endurecer as normas bancárias internacionalmente.

 

  • 2009-2010: “A crise da dívida na Europa”. O novo Governo da Grécia reconhece que o déficit do país é muito superior ao revelado anteriormente, o que altera o interesse nos mercados por seus bônus. União Europeia (UE) e FMI negociam durante meses um programa de ajuda, enquanto os investidores continuam castigando a Grécia. E, em maio, finalmente aprovam um plano de resgate dotado de 110 bilhões de euros (US$ 140 bilhões) para os próximos três anos. Então, os mercados já começam a duvidar da capacidade de outros países europeus de pagar sua dívida. O contágio da ansiedade afeta em particular Portugal, Espanha, Irlanda e Itália, e afunda o valor do euro. A UE age e anuncia, ainda em maio, que mobilizará 750 bilhões de euros para apoiar a dívida de qualquer país da zona de moeda única. O Banco Central Europeu (BCE) inicia a compra de bônus soberanos dos países-membros.