Crise, Síria e Irã, desafios para Obama, Putin e Xi em 2013

Será que esses líderes conseguirão enfrentar esses desafios no próximo ano?

Washington – Barack Obama e Vladimir Putin estão de volta, e a China recebeu um novo rosto, o de Xi Jinping: do marasmo econômico à guerra na Síria, conseguirão eles enfrentar os desafios de 2013?

CRISE ECONÔMICA NOS EUA E NA EUROPA

“Nenhum tema de política internacional será mais importante em 2013 que a capacidade dos Estados Unidos e da Europa de superar suas respectivas crises econômicas”, assegura Jessica Mathews, presidente do centro de reflexão Carnegie e coautora da obra “Global Ten: Challenges and Opportunities for the President in 2013”.

Os Estados Unidos enfrentam um inquietante “precipício orçamentário”, uma austeridade que necessariamente lhe será imposta se o Congresso não chegar a um acordo para reduzir a dívida e sobre o orçamento antes do fim do ano. Uma combinação de aumentos de impostos e redução de gastos entrará em vigor no dia 2 de janeiro, o que pode fazer com que a economia americana volte a cair em recessão. “Um acordo político para superar o ‘precipício orçamentário’ suprimiria a enorme incerteza que atravessa o país há um ano e meio”, sustenta Mathews.

Em relação à Europa, “o desafio continua sendo combinar disciplina econômica e vontade política”, explica esta especialista americana. A crise da Eurozona “passou em 2012 de uma doença mortal a um mal crônico que durará anos”, constata, ao mesmo tempo em que adverte aos dirigentes europeus que em 2013 será necessário “manter uma severa austeridade, evitar os retrocessos – sobretudo na França – e se mover gradualmente em direção à recuperação do crescimento”.

O PIB da Eurozona deve se contrair 0,3% no próximo ano, mas Justin Vaisse, da Brookings Institution e autor do livro “A política externa de Barack Obama”, pensa que “o pior da crise do euro ficou para trás”. “Os americanos e os mercados chegaram à conclusão de que o euro não explodirá, já que neste caso já teria caído e teria ocorrido uma fuga de capitais”.

Este especialista francês está, no entanto, preocupado com os “efeitos da desaceleração da economia mundial sobre a China”. Em um cenário catastrófico, a Eurozona “cortaria de forma drástica suas importações da China devido a uma recessão mais importante que o previsto”, o que teria “consequências políticas, sociais e geopolíticas na China”. O novo número um, Xi Jinping, “não pode permitir uma desaceleração do crescimento e que se acumulem os problemas político-econômicos”, afirma Jessica Mathews.


CHINA, AS DISPUTAS TERRITORIAIS COM SEUS VIZINHOS E O PAPEL DOS EUA

Muitos analistas temem um aumento das fricções na zona Ásia-Pacífico, seguida de uma corrida armamentista. Vários arquipélagos do mar da China, disputados pela China, por seus vizinhos do sudeste asiático, por Japão e Coreia do Sul são o palco destas disputas. Os Estados Unidos têm uma aliança militar com o Japão, mas negam-se a tomar partido oficialmente.

Mas “os vizinhos da China consideram os Estados Unidos o país capaz de impor um equilíbrio perante a potência política e militar da China, sem o qual Pequim dominaria totalmente a região”, opina o ex-secretário de Defesa de Jimmy Carter, Harold Brown, consultor no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

IRÃ

Os planos nucleares iranianos continuarão sendo “o tema mais quente” em 2013, com “uma elevada probabilidade de uma conflagração regional de primeira ordem”, prevê Vaisse. As grandes potências e Israel suspeitam que Teerã queira se dotar de armas atômicas sob a desculpa de um programa nuclear com fins civis, o que o Irã desmente.

Vaisse pensa que, em relação ao Irã, que segue enriquecendo urânio, “chegou-se ao fim da linha dos últimos dez anos no sentido de uma combinação de sanções e negociações”. Menos pessimista, Brown espera que a comunidade internacional “faça uma oferta aos iranianos em troca de uma suspensão definitiva ou uma pausa do enriquecimento de urânio (…) sem excluir a possibilidade de bombardeios às instalações nucleares”.

SÍRIA

Especialistas contemplam que Damasco caia nas mãos dos rebeldes nas próximas semanas e preveem um “consenso internacional” que permita em 2013 “o início de uma longa e difícil transição política”, segundo Mathews. Fazendo referência às armas químicas, Vaisse sustenta, no entanto, que é “possível que a guerra civil se resolva, mas que também seja necessária uma intervenção ocidental para garantir a ordem e a estabilidade”.