Crise das montadoras estimula o design dos automóveis

Alguns dos sucessos mais recentes de venda, no setor automotivo, vieram de companhias em crise, cuja única saída foi apostar na reformulação dos modelos para atrair os clientes

Uma piada antiga diz que, se a necessidade é a mãe da invenção, o desespero, com certeza, é o pai. Para o jornal americano The Wall Street Journal, a crise enfrentada pelo setor automotivo mundial tem gerado pelo menos um efeito positivo: o avanço do design dos veículos (se você é assinante, leia também reportagem de EXAME sobre a crise mundial das montadoras e suas possíveis saídas).

De acordo com o jornal, as épocas de dificuldades estimulam, e muito, a criatividade das empresas. O lançamento do Ford Taurus, no início dos anos 80, foi uma verdadeira bênção num momento em que a companhia lutava contra a recessão mundial. Outro exemplo é a Nissan, que acertou três vezes, com a criação dos modelos Titan, Infinit FX 35 e 350Z todos dentro da estratégia do presidente Carlos Ghosn de evitar que a montadora entrasse em colapso.

O exemplo mais recente é o sedã 300C, lançado pela Chrysler no Salão de Detroit deste ano. O veículo de design quadradão contrariou as tendências do setor de apostar em carros aerodinâmicos e tornou-se um sucesso de vendas. Cerca de 120 000 unidades já foram vendidas.

Se a crise de fato estimula a criatividade das empresas, diz The Wall Street Journal, o próximo sucesso de vendas deve vir da General Motors (GM). Envolvida numa grave crise financeira, a montadora anunciou, na semana passada, um prejuízo de 1,1 bilhão de dólares no primeiro trimestre seu pior desempenho trimestral desde 1992. O designer Tom Peters, chefe da equipe da GM, está agora envolvido na remodelação total de modelos que não foram, propriamente, um sucesso, como o Chevy TrailBlazer. Sem adiantar o que planeja lançar, Peters limitou-se a afirmar ao jornal que “há muitas oportunidades” que podem ser exploradas.