Crise da zona do euro começa a chegar à China

Segundo correspondente da 'Dow Jones', analistas preveem que crescimento chinês deverá cair abaixo de 9% nos proximos meses

São Paulo – Há evidências agora de que a crise da dívida da zona do euro esteja não só se espalhando para os bancos, ao limitar sua capacidade de conseguir funding, mas também para os principais parceiros da região, entre os quais a China, afirma Nicholas Hastings, correspondente sênior da Dow Jones em Londres, especializado em câmbio.

Qualquer notícia de uma desaceleração na China provavelmente eclipsará qualquer boa nova procedente dos EUA. O crescimento dos EUA pode finalmente estar ganhando força, mas o impacto positivo na economia global levará tempo para ser sentido. Da mesma forma, qualquer impacto negativo da crise na zona do euro sobre a economia dos EUA também poderá demorar para aparecer, mesmo que os bancos norte-americanos possam logo enfrentar pressões no funding por causa de sua exposição à região, diz Hastings.

Mas ele alerta que os dados recentes mostram que a crise da zona do euro está começando a ter impacto na China. Analistas estão prevendo que o crescimento chinês, que superava 10% há pouco tempo, deverá cair abaixo de 9% nos próximos meses.

Com o crescimento das exportações desacelerando e o superávit comercial devendo manter-se em queda, o membro do comitê de política monetária do banco central da China (PBOC, na sigla em inglês) já alertou que o superávit poderá ser zerado em dois anos. Isto ajuda a explicar a relutância do PBOC em permitir que o yuan continue se valorizando no mesmo ritmo promovido no início deste ano, acrescenta Hastings.


O PBOC vai certamente tentar manter as exportações chinesas competitivas por tempo mais longo que conseguir, especialmente considerando-se os temores de que a bolha do setor de moradia do país possa explodir. Os dados mais recentes, que mostraram fortes quedas nas novas encomendas e condições de negócios, indicam que os preços das residências caíram em 33 de 70 cidades, o pior desempenho este ano, lembra Hastings.

Não só uma desaceleração na valorização do yuan aumenta as tensões com os EUA, que têm pedido menos manipulação no câmbio por Pequim, como deve reduzir o apetite por risco nos mercados globais de investimento. O provável recuo que ocorrerá rumo a portos seguros deve favorecer o dólar e o iene, mas deixará as moedas ligadas às commodities, como o dólar australiano, pressionadas, à medida que as perspectivas para a demanda global forem rebaixadas, afirma.