Crescimento europeu é sólido, mas dívidas preocupam FMI

Fundo teme que crise dos países periféricos chegue às principais potências do continente

Frankfurt – O Fundo Monetário Internacional (FMI) julgou sólida, nesta quinta-feira, em Frankfurt, a volta do crescimento econômico na Europa, mas alertou que a propagação da dívida soberana segue latente.

“Em conjunto, a Europa – tanto ocidental como oriental – está bem e nossas previsões para os próximos meses são muito positivas”, declarou Antonio Borges, diretor do departamento europeu do fundo em uma coletiva de imprensa organizada pelo Banco Central Europeu (BCE) para apresentar o informe semestral do FMI sobre a economia do continente.

Segundo o informe, a Europa se beneficia da retomada do crescimento econômico mundial, além da integração européia, que permitiu a alguns países “uma maior competitividade”.

Entretanto “também há uma preocupação”, destacou Borges, afirmando que a “principal ameaça” é a crise na “periferia da zona do Euro” – termo usado para se referir aos países como Grécia e Irlanda que estão enfrentando uma grave crise de dívida pública que afeta os resultados econômicos.

O FMI não exclui um contágio do “núcleo sólido” da zona, que são os que estão melhor, e também os vizinhos europeus, no entanto o risco hoje é menor do que o de um ano atrás, afirma Borges.

“As medidas rígidas tomadas pelos poderes públicos chegaram no limite, até agora, os problemas da dívida soberana e do setor financeiro é na periferia da zona do euro, mas pode contagiar os países do centro, e depois os emergentes, e esse ainda é um risco real”, afirmou.

Borges pediu à UE que “reforce a gestão da crise”, e parabenizou a política monetária do BCE. A instituição aumentou sua taxa básica em abril, mas espera antes de continuar por esse caminho.

“O BCE fez exatamente o que tinha que fazer e esperamos que continue sendo pragmático”, declarou Borges.

Neste informe, o FMI confirmou as previsões publicadas em abril de crescimento do PIB na zona do Euro de 1,6% este ano e 1,8% em 2012, mesmo após a decepção dos números da produção industrial em março.

A produção industrial caiu 0,2% comparada ao mês anterior. Os analistas esperam continuidade de resultados positivos como nos cinco meses anteriores.

Entre os países da zona do euro cujos dados estão disponíveis, Irlanda e Espanha sofreram as piores baixas, 1% cada. A Grécia, afetada pelas especulações do refinanciamento das dívidas, também resgistou uma contração de 0,6%