Credores rejeitam troca de títulos proposta pela Argentina

Segundo o GCAB, organização que representa os principais credores do país, o governo argentino não demonstra "boa fé" nas negociações

Os planos do governo argentino de reestruturar sua dívida externa sofreram um duro golpe nesta quinta-feira (13/1). A proposta de trocar títulos antigos por novos, com um desconto de cerca de 70% sobre o valor de face, foi rejeitada pelo Global Committee of Argentina Bondholders (GCAB), organização que representa os principais credores do país.

O programa de troca dos títulos será aberto oficialmente amanhã. Segundo o ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, o governo considerava que uma adesão de metade dos credores será suficiente para encerrar a moratória decretada em 2001. A maioria dos economistas argentinos, porém, mostrava mais otimismo que o governo e projetava uma adesão de 75% dos investidores à proposta.

Mas um comunicado do GCAB, divulgado hoje, representa uma ducha fria sobre as pretensões da Argentina. “A reestruturação proposta não resultou de negociações de boa-fé, como determinado pelo Fundo Monetário Internacional”, afirma o comunicado. O grupo, criado em janeiro de 2004, é composto por investidores da Alemanha, Itália, Japão, Suíça e Estados Unidos, entre outros países. Em conjunto, os títulos em poder dos membros do GCAB somam 39 bilhões de dólares dos 81 bilhões devidos pela Argentina (cerca de 48% do total).

Segundo o GCAB, a economia do país está demonstrando uma forte recuperação nos últimos três anos. Por isso, uma “avaliação realista” da situação argentina poderia provar que o crescimento do Produto Interno Bruto, a inflação sob controle, o comportamento do câmbio, o crescimento das reservas em moeda estrangeira e o superávit primário dão à Argentina condições de oferecer melhores termos para a troca dos papéis.

“O desempenho da economia argentina, acima do esperado, reforça a ilegitimidade da troca ofertada pelo governo. Acreditamos que os investidores se oporão à proposta”, diz o comunicado. Segundo o vice-presidente do comitê diretor do GCAB, Nicola Stock, somente os bancos argentinos e os fundos de pensão locais tendem a aceitar a troca, já que estão recebendo um tratamento especial do governo.