Escândalos jogam África do Sul na incerteza econômica e política

ÀS SETE - O país vê seu destino se assemelhar ao do Brasil, após premiê da região noroeste ter sido acusado de corrupção e de governar com “descaso”

Uma reunião do Congresso Nacional Africano (CNA), partido que comanda a África do Sul, pode marcar uma guinada na política sul-africana, terceira maior economia da África. O movimento, composto por mais de 120 políticos, vai discutir o futuro de Supra Mahumapelo, um premiê da região noroeste do país.

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Mahumapelo tem sido acusado de corrupção e de governar a região com “descaso”. Uma série de protestos contra a ineficiência dos serviços públicos no mês passado fez com que o governo federal criasse um governo interministerial na região e voltasse suas atenções para o controle interno do partido, atualmente controlado pelo presidente do país, Cyril Ramaphosa.

Desde que assumiu a presidência, em fevereiro deste ano, Ramaphosa tenta controlar a economia do país e, ao mesmo tempo, renovar o partido antes das eleições gerais, marcadas para 2019.

A investigação é mais um movimento de “limpeza” do partido de Nelson Mandela, criado após o fim do apartheid, e que detém a maioria dos assentos na Assembleia Nacional e no Conselho de Províncias.

No ano passado,  o presidente do país, Jacob Zuma, renunciou ao cargo, após nove anos de governo sob intensas acusações de corrupção. Para analistas políticos, o partido agora tenta retirar de cargos-chave membros apoiadores de Zuma.

Os casos de corrupção do ex-presidente e de  Mahumapelo afetam não somente o partido, mas o país todo. Com uma taxa de desemprego de 26%, com um crescimento de apenas 1,4% do PIB, investidores internacionais têm perdido a confiança e diminuído os investimentos na economia sul-africana. Nos últimos anos, o país foi ultrapassado por Egito e Nigéria no ranking das maiores economias africanas.

Assim como no Brasil, a corrupção tem minado o potencial econômico da África do Sul e jogou o país numa grande indefinição política.